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02/06/2016

Exame vira tratamento contra infarto agudo

Com informações da Agência Brasil
Técnica com ultra-som trata infarto agudo
A técnica de microbolhas com ultra-som também está sendo utilizada no desenvolvimento de um bisturi sônico, que corta com feixe de som.[Imagem: Baac et al./NSR]

Exame que virou tratamento

O médico Wilson Mathias Júnior, diretor do Serviço de Ecocardiografia do Incor, em São Paulo, está chefiando um esforço que envolve a aplicação de um método de diagnóstico já consagrado, chamado ultra-som com microbolhas, para tratamento do infarto do miocárdio em fase aguda.

Ou seja, o ultra-som com microbolhas, até agora usado apenas para diagnosticar a doença, passa a ser uma etapa do tratamento para o infarto do miocárdio.

"As microbolhas foram inventadas há mais de dez anos pensando em melhorar o diagnóstico médico por ultra-som. Posteriormente, descobriu-se que, quando você intensifica uma região que contém microbolhas, elas vibram e, por vezes, elas explodem. É uma microexplosão, mas quando ela se rompe, forma um pequeno jato - como se você furasse uma bola de futebol e saísse um pequeno jato de ar - e esse microjato tem efeitos biológicos.

"Um desses efeitos é que, se ele está dentro de um trombo [coágulo], é como se fosse uma microdinamite que vai explodir, e cada bolhinha que explode lá dentro vai abrindo uma cavidade no trombro e vai causando a trombólise por ultra-som", explicou o médico.

Ultra-som com microbolhas

O ultra-som com microbolhas consiste em um gás perfluorocarbono que é aprisionado por "bexiga" de lipídios. O procedimento não é tóxico e é um método fácil de ser aplicado por profissionais de saúde. As bolhas, que circulam no sangue por cerca de 20 minutos, têm cerca de dois micrômetros de diâmetro, três vezes menor que um glóbulo vermelho do sangue (hemácia), que tem cerca de seis micrômetros de diâmetro.

Os experimentos indicam que o tratamento é eficaz quando aplicado até 12 horas após o início da dor. Os pacientes submetidos ao tratamento com o ultra-som de microbolhas - 42 nesta fase inicial do estudo - tiveram índices maiores de abertura da artéria obstruída e de recuperação do miocárdio em processo de infarto, quando comparados aos pacientes que não passaram pela técnica.

A ideia dos pesquisadores é que, no prazo de sete anos, essa nova técnica possa ser usada mundialmente como tratamento para o infarto agudo do miocárdio, estando disponível para aplicação em ambulâncias, por exemplo, enquanto o paciente é encaminhado ao hospital. Até lá, a pesquisa será ampliada e aprimorada com outros 100 pacientes do Incor, até ser levada e testada em outros países.

Angioplastia Primária

Atualmente, o tratamento aplicado para o infarto agudo do miocárdio é a angioplastia primária: "Desobstrução mecânica da artéria coronária por um catéter nas primeiras seis horas ou até 12 horas do início da dor no peito", explica o médico.

No entanto, a angioplastia primária só é feita em poucos hospitais brasileiros, onde há estrutura para isso. Na maioria dos hospitais do país o tratamento para o infarto agudo do miocárdio consiste na introdução de substâncias que dissolvem o coágulo, chamadas fibrinolíticos.

Esses medicamentos têm uma eficácia, segundo o médico, em torno de 60% e provocam riscos de hemorragias. "Mas, no balanço entre risco e benefício, como o dano do infarto é muito grande, o risco acaba compensando," explicou.


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