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07/10/2011

Tecnologias da informação podem fomentar a liberdade ou reforçar a repressão

Redação do Diário da Saúde

Ferramenta

A mídia recentemente destacou a importância das mensagens de texto e das redes sociais como novas armas poderosas para quem luta pela liberdade, sobretudo na chamada "primavera árabe".

Contudo, estas novas ferramentas de comunicação podem não ser tão puramente benéficas ou tão robustas como se sugeriu a princípio.

Um primeiro estudo nesta área tão recente mostra que, na verdade, as novas ferramentas de comunicação podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal, ou seja, tanto para a busca pela liberdade quanto para a repressão à liberdade.

"A palavra-chave é 'ferramenta'. A imagem de que estas revoluções foram causadas pela tecnologia é uma generalização excessiva," afirma Brandie Martin, da Universidade da Pensilvânia (EUA), que realizou o estudo.

Atuação parcial

Quando os protestos contra o governo explodiram no Egito, em 25 de janeiro de 2011, os cidadãos começaram a usar blogs, mensagens de texto e redes sociais para espalhar críticas sobre o governo.

No entanto, o governo, liderado pelo então presidente Hosni Mubarak, rapidamente reprimiu os bloggers e assumiu o controle da internet e dos serviços de mensagens de texto, afirma Martin.

Os pesquisadores descobriram que as empresas de telecomunicações responderam de formas diferentes aos pedidos do governo egípcio para efetuar controles sobre as comunicações.

Os principais operadores de redes móveis, como Vodafone, Mobinil e Etisalat, atenderam os pedidos do governo e suspenderam os serviços dos manifestantes.

Por outro lado, forças pró-governo continuaram a enviar mensagens de texto e internet defendendo sua causa, sem qualquer restrição por parte das empresas.

Provedores de internet fora do Egito, contudo, ajudaram os egípcios a usar a função Speak 2 Tweet, um aplicativo criado pelo Google, Twitter e SayNow que transforma chamadas de voz em atualizações do Twitter.

Mensagens de ódio

O uso das mensagens foi mais dramático no Quênia, onde não havia dois grupos buscando unidade em torno de suas propostas, como no Egito, mas lutas entre várias tribos.

Um exemplo mostra uma mensagem de texto com discurso de ódio enviada por membros da tribo Kikuyu, pedindo às pessoas para compilar listas de membros das tribos Luos e Kalus e identificar o caminho usado por seus filhos para irem à escola.

"Afirmamos que sangue Kikuyu inocente não será mais derramado," dizia a mensagem. "Vamos matá-los aqui na capital."

Quando as autoridades quenianas tentaram bloquear essas mensagens de ódio, as empresas de telecomunicações se recusaram a cumprir a ordem do governo.

Isto mostra a importância e a necessidade de que as sociedades discutam como deve ser o controle exercido por estas próprias sociedades sobre essa nova "ferramenta".

Quando as empresas de telecomunicações devem obedecer? A quem elas devem obedecer?

Anarquia

A crise econômica global está gerando uma nova unanimidade em torno do sistema capitalista como um todo: a noção de que o capitalismo precisa ser regulamentado, controlado, ou ele cai necessariamente em crises que podem ser devastadoras.

Mas este consenso ainda não aconteceu quando se trata das comunicações em geral, seja pela internet, TV ou rádio. Nesses casos, ainda impera a ideologia da "liberalidade geral" e do "des-controle".

Toda e qualquer tentativa de impor um controle social ou público sobre os meios de comunicação é rapidamente vendido pelos próprios meios de comunicação privados como "censura", algo que seria sempre e necessariamente ruim, e não uma "ferramenta" para evitar tanto a cassação da liberdade quanto a disseminação do ódio contra quem quer que seja.


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