O tempo fica entre a realidade e nossas expectativas

Tempo fica entre a realidade e nossas expectativas
Ao contrário da teoria de Einstein, na qual o espaço e o tempo são mutuamente inseparáveis, em nossa mente espaço e tempo estão entrelaçados. Por exemplo, temos dificuldade em dizer em que direção está o futuro.
[Imagem: Wikimedia]

O que é o tempo

O tempo, a "quarta dimensão", vem desafiando filósofos e físicos há séculos, em um esforço que até agora se mostrou insuficiente para criar teorias que possam ajudar a elucidar a questão fundamental: O que é o tempo?

A questão é mais difícil porque tempo e espaço estão entrelaçados em nossa mente, dificultando os esforços analíticos.

E novos experimentos mostraram agora que nossa percepção do tempo encontra-se a meio caminho entre a realidade e as nossas expectativas.

Sensação de tempo

Os 90 voluntários convocados pelo professor Max Di Luca, que liderou uma equipe das universidades de Birmingham e de Sussex (Reino Unido), passaram por quatro experiências, nas quais deviam identificar o momento do último evento em uma sequência de sinais sonoros e visuais.

Eles conseguiram antecipar ocorrências futuras dos sons e piscadas quando esses sons e piscadas seguiam um padrão regular, mas a precisão dessa percepção falhava - era diferente da realidade - quando os estímulos eram ou acelerados ou retardados.

Depois disso, quando precisavam avaliar o tempo de ocorrência do estímulo fora do ritmo que eles erraram, os voluntários sistematicamente acreditavam que o estímulo veio "apenas ligeiramente mais cedo que o esperado" - quando o estímulo era antecipado - ou "apenas ligeiramente mais tarde que o esperado" - quando o estímulo era acelerado.

O cômputo geral mostrou que essa percepção se situa a meio caminho entre a realidade e a previsão que eles haviam feito durante o experimento, ou seja, a sensação do tempo não é "atualizada" de acordo com a realidade.

Não somos relógios

Os pesquisadores acreditam que seus experimentos mostram que os humanos não percebem o tempo como ele realmente é - mas sim como um meio caminho entre a realidade e as suas expectativas.

Isso sugere que nós atualizamos continuamente a probabilidade de encontrar estímulos futuros com base em experiências anteriores, mas não o suficiente para atingirmos uma precisão mais próxima dos relógios.

"Nós não percebemos o mundo como ele realmente é, ou como esperávamos que fosse, mas em algum lugar no meio das duas coisas," disse Di Luca.

Os resultados foram publicados na revista Nature Scientific Reports.


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