Terapia preventiva contra o zika mostra resultados promissores

Terapia preventiva contra o zika mostra resultados promissores
Nas placas à esquerda o soro sanguíneo natural, que não recebeu os anticorpos, com o vírus zika. O patógeno se multiplicou, seguindo o curso natural da infecção. Nas placas à direita, nas quais o soro recebeu os anticorpos, o vírus zika não foi capaz de se replicar.
[Imagem: Jefferson Miranda]

Anticorpos monoclonais

Já utilizados no tratamento de alguns tipos de câncer, como o de mama, gástrico e ósseo, os anticorpos monoclonais - produzidos em laboratório usando técnicas de biotecnologia - mostraram elevado potencial de aplicação contra o vírus zika.

Isto acaba de ser demonstrado em uma pesquisa conjunta de cientistas do Instituto Oswaldo Cruz, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Miami (EUA), publicada na revista internacional Science Translational Medicine.

Embora a técnica de produção dos anticorpos monoclonais seja complexa, a ideia é simples: selecionar os mais eficientes anticorpos naturais que o corpo usa para combater os vírus e depois introduzir versões sintéticas desses anticorpos no organismo do paciente.

Esses anticorpos foram capazes de combater o vírus zika, com alta especificidade.

Os testes foram feitos em macacos, mas os anticorpos monoclonais foram extraídos do sangue humano, a partir de um paciente em fase aguda de infecção pelo vírus zika. Ou seja: a pessoa estava produzindo anticorpos para combater o vírus e os cientistas precisavam identificar, em meio ao vasto arsenal de imunidade produzido pelo organismo do paciente, quais seriam eficazes contra o zika.

Chegou-se a um coquetel com três anticorpos monoclonais. Os testes em macacos mostraram que o coquetel foi capaz de bloquear com êxito a replicação do vírus zika - as taxas chegaram a 100% em alguns indivíduos.

"O trabalho apresenta um importante passo para o desenvolvimento de uma terapia de ação preventiva contra o zika", disse Myrna Bonaldo, da Fiocruz.

Ensaios clínicos

Estudos indicam que o vírus zika afeta negativamente cerca de 40% das gestantes, com o vírus permanecendo ativo no corpo da paciente até o parto.

Testes adicionais, coordenados pelo brasileiro Diogo Magnani, demonstraram que os anticorpos monoclonais permaneceram ativos e em altas concentrações por quase seis meses no organismo dos primatas.

"Se extrapolado para a realidade humana, este dado mostra que o coquetel poderia ser recomendado em casos de surtos da doença a gestantes, profissionais de saúde e demais indivíduos que precisem estar ou ir até as áreas endêmicas. Com uma dose única, esses grupos estariam protegidos contra o zika. Para as mulheres grávidas, a administração do coquetel teria um ganho extra, uma vez que poderiam seguir a gestação de modo tranquilo, sem a preocupação diária de que a criança pudesse ser infectada pelo zika e ser acometida de disfunções neurológicas," disse o professor David Watkins, da Universidade de Miami.

O próximo passo será obter autorização para realização dos testes da terapia em humanos. A equipe estima que esses ensaios clínicos levem cerca de três anos até as conclusões finais.


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