Terapias com células-tronco são promissoras também em lucros

Esperança de lucros

As terapias com células-tronco não são apenas uma esperança para a cura de diversas doenças: elas são também uma promessa de desenvolvimento econômico. A opinião é de Paul Sanberg, diretor do Centro de Excelência para o Envelhecimento e Reparação Cerebral da Universidade do Sul da Flórida, Estados Unidos.

Sanberg, que também é editor-chefe da revista Cell Transplantation, apresentou nesta terça-feira (19/2), no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, a palestra "Terapia celular em problemas cardiovasculares e neurológicos: da bancada às aplicações clínicas".

Fase de desenvolvimento

De acordo com o pesquisador, que é autor de cerca de 500 artigos e tem mais de 25 patentes de produtos voltados para tratamentos com células-tronco de medula óssea e de sangue de cordão umbilical, a pesquisa no setor está entrando em uma nova fase.

"Os avanços são muito promissores e há novos produtos em diversos graus de desenvolvimento. A interação entre academia e indústria tem sido importante. O desafio agora é conseguir recursos para passar para o estágio de testes clínicos de grande escala", disse Sanberg à Agência FAPESP

Potencial econômico das células-tronco

Segundo ele, nos Estados Unidos e em diversos países asiáticos a comunidade científica e os governos perceberam o potencial econômico das novas terapias. "A Califórnia, sozinha, investe US$ 3 bilhões por ano em pesquisas sobre terapias celulares e células-tronco. A idéia é que a produção dessas tecnologias se torne economicamente tão importante quanto a do Vale do Silício", disse.

Sanberg, que é diretor executivo da Sociedade Norte-Americana para o Reparo e Transplante Neural, diz que atualmente as pesquisas na Universidade do Sul da Flórida são focadas em modelos animais pré-clínicos.

"Tentamos responder a questões sobre como injetar as células-tronco, quais as doses ideais, quais são os tipos de células mais eficazes para determinadas doenças e quanto tempo depois da manifestação da doença se deve começar a terapia. Todo esforço é focado em trazer as terapias para perto do paciente", destacou.

Cooperação entre academia e indústria

Segundo ele, já existem produtos em estágios diversos de desenvolvimento, mas, a partir de agora, a cooperação entre academia e indústria se tornará crucial. "É absolutamente importante ter uma visão do conjunto e poder trabalhar o processo desde a bancada até o produto. A pesquisa no laboratório é fundamental, mas precisamos também trabalhar com as empresas, porque elas nos levam ao próximo nível", afirmou.

Para o cientista, nem governo, nem universidades têm capacidade para comercialização e realização de testes clínicos de longo alcance. "Isso não é feito nem mesmo pelas pequenas companhias. Elas fazem uma fase, com 200 ou 300 pacientes e licenciam para os grandes laboratórios, que vão colocar grandes investimentos nos testes clínicos finais", disse.

Empresas emergentes

Sanberg lembra que há cerca de 15 anos houve, nos Estados Unidos, um acirramento da mentalidade empreendedora entre os cientistas. "Isso ocorreu, paradoxalmente, quando os investimentos do governo diminuíram. A escassez de recursos acabou transformando os cientistas em homens de negócios, que precisaram aprender a ter um olhar comercial e a diversificar a busca de fontes de financiamento."

O quadro gerou uma política de estímulo ao trabalho conjunto entre pesquisadores e empresas, a construção de parques tecnológicos pelas universidades e uma explosão no número de empresas spin-off.

Crises e oportunidades

"Na Flórida fomos especialmente estimulados depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. A economia daquele estado vive do turismo e, como naquela época ficou muito difícil viajar, ela quase entrou em colapso. A universidade foi estimulada a assumir um novo papel no desenvolvimento econômico. Nesse contexto, nossa área se mostrou especialmente promissora", apontou.

O grupo de Sanberg, que conta com 25 pesquisadores, trabalha atualmente na aplicação de células-tronco do sangue de cordão umbilical no tratamento de derrame e de esclerose lateral amiotrófica.

"Temos a primeira patente norte-americana mostrando que células-tronco da medula óssea podem ajudar na reparação de danos na coluna vertebral e a primeira para uma terapia com células do sangue de cordão umbilical para tratamento de doenças do cérebro", afirmou.


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