Antibióticos eficazes não são aprovados porque teste tem falha grave

Teste para validar antibióticos tem falha grave
O teste de medicamentos usado mundialmente exclui antibióticos potentes para o tratamento de infecções microbianas (placas azuis). Em condições que imitam as infecções naturais antibióticos efetivos (placas vermelhas) são identificados, mesmo que esses mesmos antibióticos tenham falhado no teste-padrão.
[Imagem: Peter Allen/Brian Long]

Falha inesperada

Quando um paciente recebe uma receita com um antibiótico inadequado para tratar uma infecção bacteriana, a falha não é necessariamente do médico que deu a receita.

O atual ensaio científico para avaliação dos antibióticos - padronizado em 1961 pela Organização Mundial da Saúde e utilizado em todo o mundo - é potencialmente falho.

É o que garante a equipe do professor Michael Mahan, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, cujo laboratório descobriu a falha e desenvolveu um novo teste de susceptibilidade antimicrobiana que promete transformar a forma como os antibióticos são desenvolvidos, testados e prescritos.

Teste padrão dos antibióticos

O teste padrão para validação de um antibiótico especifica a capacidade da droga em matar bactérias em placas de petri contendo ágar Mueller-Hinton, um meio de cultura rico em nutrientes. O problema, dizem os pesquisadores, é que esse ambiente não consegue reproduzir a maioria dos aspectos de uma infecção natural no corpo.

Por isso, Mahan e seus colegas usaram um modelo animal - um camundongo - para demonstrar que vários antibióticos funcionam de forma diferente contra vários agentes patogênicos na placa de petri e no interior do corpo de um mamífero.

"A mensagem é simples: os médicos podem estar se baseando no teste errado para identificar antibióticos para tratar infecções," disse Mahan. "Ao desenvolver um teste que imita as condições no corpo, identificamos antibióticos que efetivamente tratam infecções causadas por diversas bactérias, incluindo a MRSA, a causa de infecções mortais por estafilococos. Esses medicamentos foram ignorados porque falharam no teste-padrão, apesar de serem baratos, não-tóxicos e disponíveis nas farmácias."

Esta constatação tem implicações significativas para a saúde pública. Se um medicamento aprovado no teste-padrão não funcionar, os médicos agora podem escolher um medicamento diferente imediatamente, em vez de aumentar a dose do mesmo medicamento quando os pacientes retornam - muitas vezes em piores condições - após um primeiro tratamento ineficaz.

Descoberta de novos antibióticos

O professor Mahan acrescenta que a dependência do teste-padrão pode ter contribuído para o aumento das bactérias resistentes a múltiplos medicamentos, devido à prescrição contínua de antibióticos ineficazes.

Além disso, acrescentou ele, o teste-padrão também pode estar retardando a descoberta de novos antibióticos: "Essas 'drogas maravilhosas' podem já existir, mas foram rejeitadas pelo teste-padrão e, portanto, não são usadas na prática."

A equipe também descobriu uma maneira de "consertar" o teste-padrão para que ele consiga prever melhor o quão bem os antibióticos vão tratar as infecções: simplesmente adicione bicarbonato de sódio.

Este composto químico é encontrado em abundância no corpo, onde ajuda a controlar o pH do sangue. "O bicarbonato de sódio faz com que as placas de petri se comportem de forma mais parecida com o corpo e aumenta a precisão do teste para associar o antibiótico apropriado para tratar infecções," explicou Douglas Heithoff, principal responsável pela descoberta da falha no teste-padrão dos antibióticos.

A descoberta é também um alívio quanto à preocupação mundial com a resistência aos antibióticos. "As coisas não são tão sombrias quanto pensamos. Nós só precisamos ser inteligentes a respeito e mudar a maneira como estamos usando as drogas que já temos, enquanto continuamos a procurar por novas," finalizou Mahan.

As descobertas foram publicadas na revista científica EBioMedicine.


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