Transplante de corpo: Será mesmo possível?

Transplante de corpo: Será mesmo possível?
O Dr. Sergio Canavero já se tornou famoso pelas suas alegações, mas muitos de seus colegas dizem que o transplante de corpo ainda é ficção científica.
[Imagem: Divulgação]

Trocar de corpo

Um cirurgião italiano que diz ser capaz de realizar um inédito transplante de corpo - ou de cabeça - afirma que já poderia fazer a operação no ano que vem.

Sergio Canavero explica que o transplante consiste em manter apenas a cabeça do paciente, e plugar nela o corpo de um doador com morte cerebral - em vez de receber apenas um órgão, como coração ou rim, o paciente recebe o transplante do corpo inteiro.

"Não estamos a uma década ou a anos (do transplante). Eu espero ter tudo pronto para começar a trabalhar no final de 2017. Mas é claro que a realização depende da disponibilidade de um doador. O último transplante facial demorou diversos meses para ser feito por falta de um doador adequado. Mas a tecnologia estará disponível," afirmou ele.

Apesar do imenso risco envolvendo a cirurgia, o médico italiano diz ter muitas pessoas se oferecendo como cobaias - dispostas a, na prática, trocar seu corpo por um mais saudável.

Ele diz que, por conta da tecnologia disponível, países como Reino Unido, Alemanha e França seriam os mais indicados para realizar o transplante de cabeça.

Como funcionaria o transplante de corpo

Canavero diz que o transplante requereria a mão de obra de 150 médicos e enfermeiros, duraria 36 horas e custaria o equivalente a R$ 42 milhões. O primeiro passo seria congelar o corpo do paciente para preservar as células do cérebro, drenar o cérebro e substituir o sangue por uma solução cirúrgica.

A partir daí, o pescoço do paciente e do doador seriam cortados para que as artérias e veias importantes fossem envoltas com tubos feitos de uma combinação de silicone e plástico - esses tubos seriam comprimidos para impedir o fluxo de sangue e depois afrouxados para facilitar a circulação quando a cabeça fosse reconectada.

Uma parte ainda mais delicada é o corte da medula espinhal, algo que seria feito com um bisturi especial, feito de diamantes, por causa de sua força. A cabeça, então, seria movida para o novo corpo e as medulas, conectadas com um tipo especial de cola.

Os desafios seriam enormes, a começar pelo perigo da rejeição do corpo pela cabeça, das dificuldades em reabilitar o paciente após a cirurgia e, sobretudo, da incerteza sobre como será possível integrar a espinha - por exemplo, até hoje a medicina não consegue reparar danos à medula, geralmente causados por acidentes, que deixam as pessoas tetraplégicas.

Céticos

Canavero deposita suas esperanças em uma substância comum para reconectar a medula espinhal - um polímero inorgânico chamado polietilenoglicol.

"Agora temos uma substância que faz o milagre de renovar uma medula espinhal cortada. Os resultados que temos são espetaculares. Fizemos um teste com um cachorro e ele se recuperou em duas semanas. Ele conseguia correr," afirmou.

A maioria dos especialistas médicos classifica a proposta de Canavero como "ficção científica" e acha que um transplante de cabeça é impossível - além de potencialmente trazer dilemas éticos e submeter pacientes a procedimentos que podem ser muito dolorosos.

O neurocientista Jerry Silver, da Universidade Case Western Reserve (EUA), afirmou à revista New Scientist que os artigos científicos publicados pela equipe de Canavero "não dão suporte para se prosseguir rumo a testes da tecnologia em humanos".

"O cachorro é um relato de caso, e você não consegue aprender muito de um único animal, sem controles", acrescentou Silver, referindo-se à falta de animais de controle no experimento, que não recebessem a "substância que faz milagre" de Canavero para comparação dos resultados.

Loucuras realizadas

Outros especialistas, porém, destacam que diversas descobertas científicas já foram classificadas de "loucura" antes de serem concretizadas - além de terem permitido outros avanços científicos em paralelo à sua concretização.

Canavero, por sua vez, diz já ter testes em macacos para usar como base e que o procedimento tem "90% de chances de sucesso".

"Isso quer dizer que o paciente acorda sem danos e já começa a andar dentro de um mês ou depois de fisioterapia", explica. "Estamos dando esperanças às pessoas que têm sido decepcionadas pela medicina ocidental".


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