Transtorno bipolar causa envelhecimento precoce

Transtorno bipolar causa envelhecimento precoce
Atualmente há uma corrida em busca de uma alternativa ao lítio para o transtorno bipolar devido à toxicidade e efeitos colaterais do metal no corpo humano.
[Imagem: Wikimedia/Halfdan]

Psicológico e fisiológico

Portadores de transtorno bipolar tendem a sofrer de envelhecimento precoce do sistema imunológico.

"Acreditamos que, durante os episódios de alteração de humor característicos da doença, ocorrem danos aos neurônios. O organismo então reage com uma reação inflamatória com o objetivo de livrar-se de células mortas ou disfuncionais. Quando a inflamação é muito intensa ou prolongada, torna-se prejudicial," explica Elisa Brietzke, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Essa conexão fisiológica de uma doença até agora considerada unicamente psiquiátrica - neste sentido restrita ao cérebro - é importante porque abre a possibilidade de atuar no sentido inverso, ou seja, usar formas não-medicamentosas de tratamento para induzir reações fisiológicas.

Mudança de paradigma

Elisa inicialmente descobriu, em 2010, que os portadores de transtorno bipolar apresentavam alterações imunológicas compatíveis com quadros de inflamação sistêmica.

"Foi uma mudança de paradigma. O transtorno bipolar é tradicionalmente entendido como uma doença do cérebro e se acreditava que o tecido cerebral ficava isolado do resto do corpo, protegido pela barreira hematoencefálica (um conjunto de células endoteliais que protege o sistema nervoso central).

"Hoje temos evidências - por meio de estudos com animais e com tecido humano post mortem - de que há mediadores inflamatórios que conseguem ultrapassar essa barreira e ativar células do sistema imune próprias do cérebro - as microglias", comentou Elisa.

Transtorno bipolar e envelhecimento

Os resultados indicam que algumas das alterações observadas no sistema imunológico de idosos também podem ser encontradas nos portadores de transtorno bipolar, só que em uma idade bem mais precoce.

Para chegar a essa conclusão, a equipe comparou dados de 30 portadores de transtorno bipolar em estágio precoce, 30 em estágio tardio e 30 voluntários saudáveis. Os grupos tinham idade média de 36 anos.

"As células do sistema imunológico podem apresentar em sua superfície marcadores de envelhecimento. Em geral, quanto mais velho o paciente, maior o percentual de células senescentes. Vimos que os indivíduos bipolares têm um aumento na taxa de células senescentes em comparação aos indivíduos controle de mesma idade", explicou Elisa.

Na avaliação de Elisa, os resultados obtidos até o momento indicam que as alterações biológicas do transtorno bipolar não podem ser consideradas como restritas ao cérebro e, portanto, o tratamento pode não se resumir à modulação de neurotransmissores.

"Modular o sistema imunológico e controlar a inflamação pode melhorar o quadro psiquiátrico. Isso pode ser feito com o uso de medicamentos e também com outras intervenções, como a atividade física. O controle da inflamação pode, inclusive, amenizar as alterações metabólicas comuns em pacientes bipolares. Estudos mostram que eles apresentam índices acima da média de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, doenças associadas ao envelhecimento", contou a pesquisadora.


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