Transtornos mentais podem atingir até 30% dos paulistanos

Ansiedades em diante

Você acredita que quase 30% dos habitantes da Região Metropolitana de São Paulo apresentam transtornos mentais?

Fica mais fácil compreender a estatística ao verificar que "transtornos mentais" incluem desde a ansiedade e os transtornos obsessivo-compulsivos até o abuso de substâncias químicas, legais ou não.

O resultado é parte da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que integra e analisa pesquisas epidemiológicas sobre abuso de substâncias e distúrbios mentais e comportamentais.

O estudo, coordenado globalmente por Ronald Kessler, da Universidade Harvard (Estados Unidos), com participação de cientistas brasileiros, reuniu dados epidemiológicos de 24 países.

A prevalência de transtornos mentais na metrópole paulista foi a mais alta registrada em todas as áreas pesquisadas.

Vulnerabilidade mental

Segundo o estudo, 29,6% dos indivíduos na Região Metropolitana de São Paulo apresentaram transtornos mentais nos 12 meses anteriores à entrevista.

Os transtornos de ansiedade foram os mais comuns, afetando 19,9% dos entrevistados. Em seguida, aparecem transtornos de comportamento (11%), transtornos de controle de impulso (4,3%) e abuso de substâncias (3,6%).

"Dois grupos se mostraram especialmente vulneráveis: as mulheres que vivem em regiões consideradas de alta privação apresentaram grande vulnerabilidade para transtornos de humor, enquanto os homens migrantes que moram nessas regiões precárias mostraram alta vulnerabilidade ao transtorno de ansiedade", disse Laura Helena Andrade, da USP, que participa do trabalho juntamente com Maria Carmen Viana, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

A prevalência dos transtornos mentais, de quase 30%, é a mais alta entre os países pesquisados. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com pouco menos de 25%.

A razão da alta prevalência, de acordo com a pesquisadora, pode ser explicada pelo cruzamento de duas variáveis incluídas no estudo: a alta urbanização e a privação social.

Transtornos mentais graves

Em relação às outras regiões estudadas, a Região Metropolitana de São Paulo também teve a mais alta proporção de casos de transtornos mentais considerados graves (10%), bem acima do estimado em outros 14 países avaliados.

Depois da metrópole paulista, os países com maior porcentagem de casos graves foram os Estados Unidos (5,7%) e Nova Zelândia (4,7%).

A exposição ao crime foi associada aos quatro tipos de transtornos mentais avaliados, segundo Laura.

A alta urbanicidade está associada especialmente ao transtorno de controle e impulso.

A privação social também tem impacto sobre o transtorno de abuso de substâncias e interfere na gravidade das doenças.

"As pessoas que moram em áreas precárias apresentam quadros mais graves e tendência ao abuso de substâncias. As que tiveram mais exposição à vida urbana têm mais transtornos de controle e impulso - em especial o transtorno explosivo intermitente, que é típico de situações de estresse no trânsito, por exemplo", apontou


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