Tratamento de resíduo hospitalar tem processo mais limpo e econômico

Um enfoque ambiental e econômico dos tratamentos de desinfecção de resíduos dos serviços de saúde é o tema abordado pela estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental, Mariah Siebert Zipf.

Os estudos de Mariah fazem parte da pesquisa 'Avaliação Ambiental de Procedimentos de Desinfecção de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS)', orientada pelo professor Sebastião Roberto Soares. O trabalho foi exposto na sessão de painéis do XVII Seminário de Iniciação Científica da UFSC, que aconteceu dias 3 e 4 de outubro de 2007.

Calagem, autoclave, microondas e vala séptica

Mariah explica que o projeto está em fase inicial e tem o objetivo de analisar quatro processos de desinfecção: calagem, autoclave, microondas e vala séptica exclusiva, com ênfase no estudo dos três primeiros. A calagem tem por objetivo a ação neutralizadora e bactericida através do óxido de cálcio. Já a autoclave é um aparelho que esteriliza pelo uso do calor húmido sob pressão e o tratamento no último processo estudado é feito a partir de radiações de microondas.

A eficácia de desinfecção destas técnicas já foi pesquisada e comprovada em outros estudos. Na escolha do método mais adequado não se deve considerar apenas a eficiência total de desinfecção. Também é preciso levar em conta os aspectos ambientais e econômicos do ciclo do processo. Assim, o trabalho da estudante busca o método que cause menos impacto ambiental e que seja econômico, já que os custos de tratamento dos RSS são arcados pelas instituições que os geram.

Avaliação do Ciclo de Vida

Para as pesquisas utiliza-se a técnica da Avaliação do Ciclo de Vida - ACV (www.ciclodevida.ufsc.br). O ciclo de vida é um instrumento que avalia todo o processo de fabricação do produto, desde a extração de matérias-primas até suas destinação final.

Dentro dos conceitos de ACV, estão as análises de matéria-prima e energia utilizadas na fabricação e as emissões atmosféricas, despejos na água, resíduos sólidos que o uso do produto causa. A técnica possui quatro fases de trabalho. As pesquisas de Mariah estão na segunda etapa - análise de inventário, que corresponde à coleta de informações.

Identificação de análises de impactos ambientais

A estudante conta que o enfoque ambiental da fabricação dos processos de desinfecção é pouco encontrado na literatura, por isso, buscam-se dados nas próprias empresas fabricantes. Mariah diz que o próximo passo dos estudos será o gerenciamento das informações e sistematização do processo através do software específico GaBi 4.

Esse software é utilizado para identificação de análises de impactos ambientais no ciclo de vida de produtos ou serviços. O mecanismo fornecerá indicadores ambientais para cada método como, por exemplo, a influência de cada técnica em impactos como chuvas ácidas e efeito estufa.

No momento, Mariah explica que a equipe da pesquisa está aprendendo a usar o software, que também será um importante banco de dados. Os estudos contribuirão para classificar um método eficaz de desinfecção que siga normas de preservação ambiental. Isto garante um cuidado desde o processo de fabricação até o uso adequado dos produtos de tratamento de resíduos de serviço de saúde.

Resíduos de serviços de saúde

Os resíduos de serviços de saúde são, em geral, provenientes de hospitais e clínicas médicas. Assim, são muitas vezes chamados de lixo hospitalar. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do IBGE (2000), a Região Sul coleta cerca de 200 toneladas de resíduos sólidos por dia. No Brasil são coletadas diariamente cerca de 230 mil toneladas de resíduos e destes, 1% correspondem aos lixos hospitalares, aproximadamente 2,3 mil toneladas.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama classifica os resíduos em A, B, C e D. O grupo A corresponde aos resíduos que possuem risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente, pela presença de agentes biológicos (materiais que tenham entrado em contato com secreções e líquidos orgânicos) e materiais perfurantes ou cortantes. No grupo B encontram-se os resíduos químicos; no C, os rejeitos radioativos; e no grupo D, os resíduos comuns.

Reais perigos dos lixos hospitalares

Há na legislação regulamentações nacionais para a manipulação e tratamento dos resíduos. A Resolução 203/01 regula o tratamento e a destinação final dos lixos hospitalares e a RDC 306, de 2004, dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento destes resíduos. Os Estados e municípios também possuem legislações próprias específicas sobre o gerenciamento destes resíduos, estabelecendo normas para a classificação, segregação, armazenamento, coleta, transporte e disposição final.

É antiga a discussão sobre os reais perigos dos lixos hospitalares para a saúde pública e para o meio ambiente. Porém, é comprovado que diferentes microorganismos patogênicos estão presentes nos resíduos sólidos e apresentam tempo de sobrevivência considerável no meio ambiente. Como exemplo, tem-se a bactéria Salmonella sp, com cerca de 60 dias de sobrevivência e o vírus HIV, com até sete dias.


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