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15/02/2012

Criatividade pode ser treinada

Redação do Diário da Saúde

Momentos eureca

Sempre haverá um aspecto qualitativo de imprevisibilidade e espontaneidade nos chamados "momentos eureca", que acompanham a criatividade e a invenção.

Mas essa possibilidade não está escrita nos genes, e pode ser treinada.

É o que garante o Dr. Anthony McCaffrey, da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA).

Segundo ele, apesar desses momentos eureca serem raros e exigirem a superação de desafios mentais formidáveis, as pessoas podem se preparar para eles com uma técnica de treinamento sistemático.

Hipótese das Características Obscuras

A técnica foi chamada por McCaffrey de Hipótese das Características Obscuras.

É, segundo ele, uma abordagem passo-a-passo para "superar os obstáculos cognitivos à invenção".

Segundo ele, a técnica de treinamento terá uma utilidade especial para engenheiros, sempre às voltas com a necessidade de resolver problemas práticos e criar novas soluções para problemas velhos.

Olhe com outros olhos

Depois de analisar 1.000 invenções antigas e 100 invenções modernas, o pesquisador concluiu que praticamente todas as soluções inovadoras seguiram dois passos.

A primeira é a observação de uma característica incomum, obscura, que quase ninguém presta atenção.

A segunda é desenvolver uma solução com base nessa característica.

Ou seja, ele reconfirma o velho ditado de que o que move o mundo não são as respostas, mas as perguntas.

Com essa hipótese, McCaffrey partiu para estudar aspectos da percepção e da cognição humanas que impedem que a maioria de nós veja essas características obscuras.

Fixação funcional

O obstáculo fundamental é a chamada "fixação funcional", que descreve o obstáculo mental que impede que a pessoa veja oportunidades onde só parece haver problemas.

As pessoas se incomodaram durante milênios com carrapichos na roupa, mas só uma olhou para o carrapicho como uma oportunidade para inventar o velcro, cita ele.

O cientista - que é psicólogo, filósofo e cientista da computação - afirma que sua técnica consiste em fazer com que as pessoas reinterpretem as informações que detêm sobre objetos conhecidos.

"O truque é desvendar as características que são relevantes para seus objetivos," afirma ele. Por exemplo, observar que a empunhadura de uma chave de fenda pode servir para bater em alguma coisa, funcionando como um martelo.

O resultado é um gráfico em formato de árvore que descreve as funções de cada parte individual do objeto que está sendo analisado.

Usando a técnica, um grupo de estudantes resolveu 67,4% mais problemas do que a turma que apenas quebrou a cabeça. E eles conseguiram ver a tal "característica obscura", necessária para resolver o problema, em 75% das vezes, contra apenas 27% da turma de controle.

O cientista afirma que esta é apenas a primeira técnica a ser desenvolvida a partir de sua Hipótese das Características Obscuras, e que mais virão com novas pesquisas.


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