UFSC estuda células-tronco a partir de placenta e de cordão umbilical

Células tronco sem controvérsias

Lixo em muitas maternidades brasileiras, cordões umbilicais e placentas são fundamentais em pesquisas na UFSC. Professores e estudantes do Laboratório de Neurobiologia e Hematologia Celular e Molecular estão buscando avançar o conhecimento no campo de células-tronco a partir da investigação destes materiais.

Uma das vantagens é que o uso destes tecidos não acarreta problemas éticos e religiosos, como no caso das células-tronco embrionárias. As células-tronco têm capacidade de se transformar em diferentes tecidos e sobre elas estão depositadas esperanças para melhoria do tratamento do câncer, de doenças cardíacas e neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer.

Sangue do cordão umbilical e da placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta possui células-tronco. Entretanto, não se sabe ainda como acontece a diferenciação destas "matrizes" em outras células.

O laboratório da UFSC, ligado ao Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética, do Centro de Ciências Biológicas, estuda a transformação de dois tipos específicos de células-tronco: as hematopoéticas e as mesenquimais. A equipe usa placenta e cordão umbilical dos partos realizados no Hospital Universitário.

Células-tronco hematopoéticas

As células-tronco hematopoéticas estão ligadas à geração dos diversos constituintes do sangue. Para tratamento de leucemias, tipo de câncer que compromete o desenvolvimento dos glóbulos brancos, por exemplo, é realizado o transplante de medula óssea, para substituição destas células.

Atualmente já é possível utilizar o transplante com células-tronco hematopoéticas obtidas do cordão umbilical, mas estudos mostram uma baixa quantidade neste material para se pensar em sua utilização em um adulto. O maior potencial está na terapia em crianças. Por outro lado, por serem "imaturas" imunologicamente (estão em um estágio muito primário de desenvolvimento), as células-tronco hematopoéticas de cordão umbilical têm mais chances de serem bem aceitas pelo receptor - um dos maiores desafios em transplantes é a rejeição.

Terapia celular

Diante destes potenciais, a equipe da UFSC trabalha com a possibilidade de aumentar a quantidade de células-tronco no cordão umbilical, em um processo onde se busca sua amplificação in vitro. Neste caso o objetivo futuro é usar as células-tronco hematopoéticas como um medicamento, na chamada terapia celular.

Células-tronco mesenquimais

Já as células-tronco mesenquimais são capazes de gerar tecido cardíaco e neural. A partir de sistemas in vitro, a equipe da UFSC estuda sua diferenciação em elementos do sistema nervoso. Em breve a pesquisa deve chegar a uma abordagem pré-clinica, com testes em animais. No caso das células mesenquimais, o grupo está desenvolvendo também experimentos em ovos de aves.

Células-tronco de cordão umbilical e de placenta são injetadas nos vasos sanguíneos dos ovos e os pesquisadores observam sua capacidade de reconhecer pontos específicos. "Imagine que você quer tratar uma lesão no córtex, injeta as células-tronco e elas vão se alojar em outro local do cérebro", explica o professor Marcio Alvarez-Silva, coordenador dos estudos, exemplificando a importância desse tipo de avaliação.

Comportamento desconhecido

Segundo ele, os estudos com células-tronco mesenquimais usando ovos de aves são pioneiros no Brasil e o mapeamento da trajetória envolve questões bastante complexas. "Se a célula reconhece o local para onde deve ir, pode haver uma interação cerebral/molecular", considera o professor.

Nessa linha, o grupo trabalha também com o desenvolvimento de traçadores fluorescentes, para acompanhar o deslocamento da célula-tronco e o local em que vai se alojar. Estes estudos são importantes para determinar in vivo quais os possíveis pontos de interação das células em um organismo receptor, possibilitando sua previsibilidade.

Mas, ainda que apresentem potencial considerável para as pesquisas, as células-tronco obtidas a partir do cordão umbilical e da placenta ainda têm comportamento bastante desconhecido e existe o temor de que possam gerar tumores ao invés de reconstituir os tecidos. "Elas precisam ser muito bem caracterizadas dentro de uma visão da biossegurança", alerta o professor, satisfeito com a posição de estar em uma equipe que estuda situações inéditas do campo da medicina regenerativa.


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