Vacina brasileira anti-HIV entra em nova fase de testes

Após os resultados animadores obtidos nos primeiros testes em macacos, realizados no ano passado, a vacina brasileira contra o HIV, que está sendo desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), do Incor e do Instituto Butantan, passará por uma nova fase de experimentos de imunização usando o mesmo tipo de animal.

O objetivo dos novos testes será avaliar uma nova estratégia de administração da vacina em que, em vez de ser injetado diretamente no organismo de macacos, como foi feito nos testes anteriores, o antígeno será inserido no genoma de vírus incapazes de causar infecções (atenuados), como o da vacina da varíola e adenovírus de chimpanzé, a fim de aumentar a resposta imune à vacina.

Contudo, ainda não há uma previsão do início dos novos testes porque, para realizá-los, será preciso instalar uma unidade laboratorial com alto nível de biossegurança nas dependências do Instituto Butantan.

"Serão necessárias instalações de biossegurança de nível 2 para realização dos testes com esses vetores virais porque, especialmente no caso do adenovírus de chimpanzé, embora não consiga replicar, há a possibilidade de esse vetor se recombinar com adenovírus selvagens, presentes na população de macacos que participarão dos experimentos, e reativar, ou seja, se tornar um vírus replicativo", disse Edécio Cunha Neto.

O projeto das instalações, realizado por uma empresa norte-americana e em que serão usados contêineres especialmente adaptados para alojar os animais e realizar os experimentos, foi concluído e está aguardando a aprovação dos custos para ser iniciado.

"As instalações levarão cerca de seis meses para serem construídas e entregues para que possamos iniciar os testes", afirmou Cunha Neto.

Vacina brasileira

De acordo com o pesquisador, atualmente há cerca de 30 ensaios clínicos em humanos de candidatas a vacinas contra o HIV sendo realizados nos Estados Unidos e Europa, sendo que a maioria está em fase 1 ou 2 - à frente da vacina brasileira.

Um dos diferenciais da vacina brasileira, segundo ele, é que é a única voltada a induzir respostas de linfócitos T do tipo CD4 ou TCD4 - as células mais importantes do sistema imune e o principal alvo do HIV.

"Há evidências crescentes de que essas células são responsáveis por acionar linfócitos T do tipo CD8, produtores de toxinas que matam as células infectadas pelo HIV. Além disso, também acionam linfócitos B, produtores de anticorpos", explicou.

Os 18 fragmentos de DNA do vírus HIV que compõem a vacina desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros são facilmente reconhecidos por linfócitos TCD4 que, por sua vez, auxiliam a ativação dos linfócitos TCD8 do sistema imunológico.


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