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20/01/2011

Vacinação seletiva pode ser melhor que vacinação em massa

Redação do Diário da Saúde

Vacinação quântica

A recente epidemia de gripe A demonstrou a confiança que a população tem nas vacinas: todo o mundo queria vacinar-se contra a nova ameaça.

Isso só não foi feito porque a vacina simplesmente ainda não existia.

Mas será que a vacinação em massa é a melhor opção para cuidar da saúde pública, diminuindo a taxa de mortalidade, qualquer que seja a ameaça ou a doença?

Surpreendentemente, três físicos desenvolveram uma nova estratégia para uma vacinação intensiva, mas limitada, contra as doenças infecciosas (como a gripe), que substituiria a prática atual de inoculação em massa.

Os físicos desenvolveram sua teoria utilizando uma técnica emprestada da mecânica quântica.

Vacinação seletiva

Como funcionaria essa vacinação seletiva? O programa baseia-se em acelerar a extinção natural da doença através da vacinação seletiva.

O professor Baruch Meerson, um dos autores da nova estratégia explica a estratégia:

"Considere uma situação infeliz, quando uma doença infecciosa se espalhou sobre uma população, e uma determinada parcela da população está doente. A maioria dos indivíduos infectados recupera-se da doença e desenvolve imunidade a ela. Por outro lado, os indivíduos infectados podem espalhar a doença na população por meio de contatos com indivíduos suscetíveis.

"Para reduzir a propagação da infecção, pode-se vacinar todos os possíveis indivíduos suscetíveis. Se todos eles estiverem dispostos a serem vacinados e houver vacina suficiente para todos, a campanha de vacinação vai erradicar a doença com segurança.

"Muitas vezes, porém, há uma grande parcela de indivíduos suscetíveis se recusam a ser vacinados. Além disso, a vacina pode ser escassa, cara para produzir, ou difícil de armazenar."

Meerson e seus colegas Mark Dykman e Michael Khasin, da Universidade de Michigan (EUA), desenvolveram a estratégia para lidar com essa situação, muito mais plausível do que a situação onde há vacinas para todos e todos querem ser vacinados.

Desaparecimento natural das doenças

Os pesquisadores se aproveitaram do fato de que, mesmo sem vacinação, uma doença acaba se extinguindo por conta própria, como a própria história humana documenta, em períodos quando as vacinas ainda não haviam sido inventadas.

Mas, para grandes populações, como no mundo moderno, o tempo típico que leva para que uma doença desapareça por si só pode ser muito longo.

Essencialmente, os cientistas sugeriram uma estratégia de vacinação ideal que acelera, da melhor forma possível, este processo natural de desaparecimento da doença.

Nesta estratégia, a vacina deve ser aplicada para as populações mais suscetíveis, por exemplo, a faixa etária onde a doença se manifesta inicialmente ou com maior intensidade.

Seriam períodos curtos de vacinação, mas intensos, adaptados aos altos e baixos das "ondas" que ocorrem naturalmente na propagação das doenças infecciosas.

Além disso, quando a doença tem uma variação sazonal (como o resfriado comum), esse fator deve ser levado em consideração nos cálculos do calendário de vacinação.

Física da epidemiologia

A questão que permanece é: por que físicos abordaram um problema que pertence à epidemiologia?

Eles afirmam que o modelo matemático que usaram em sua análise se assemelha ao modelo de mecânica quântica que os físicos usam quando analisam a dinâmica de partículas microscópicas (como os elétrons) em armadilhas em miniatura.

Ajustando o tamanho das armadilhas é possível aumentar ou diminuir as chances de os elétrons escaparem.

Foi essa analogia inesperada que tornou possível tirar as conclusões surpreendentes sobre o protocolo de vacinação periódica - ou seja, para mostrar como uma vacinação seletiva, bem direcionada, pode realmente limitar a "fuga" desses germes infecciosos e permitir que a doença morra em grande parte através de um processo natural.

Os físicos agora querem modelar seu esquema de vacinação periódica utilizando dados do mundo real.

Mas eles afirmam que seus cálculos mostram que a vacinação de um percentual pequeno da população pode reduzir o tempo necessário para erradicar uma doença, digamos, de cinco meses, para entre três e quatro, com menores gastos e sem a necessidade de envolver toda a população.


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