Veneno de cobra interrompe sangramento em 6 segundos

Veneno de cobra interrompe sangramento em 6 segundos
As cobras do gênero Bothrops produzem um veneno que é também um poderoso coagulante, usado para conter hemorragias.
[Imagem: Greg Hume/Wikipedia]

Batroxobina

Um hidrogel feito com nanofibras e infundido com o veneno de uma cobra brasileira está-se mostrando um material excepcional para interromper hemorragias quase imediatamente.

O hidrogel, chamado SB50, incorpora a batroxobina, um veneno produzido por duas espécies de cobra conhecidas como jararaca ou urutu.

O material pode ser injetado como um líquido e rapidamente se transforma em um gel que se conforma ao local do ferimento, mantendo-o fechado e promovendo a coagulação em uma questão de segundos.

Os testes mostraram que o novo material interrompe uma hemorragia em menos de seis segundos, e mesmo a manipulação do ferimento apenas alguns minutos depois não é capaz de reabri-lo.

"É interessante que você possa pegar algo tão mortal e transformá-lo em algo que tem o potencial para salvar vidas," comentou o professor Jeffrey Hartgerink, da Universidade Rice (EUA), que orientou seu aluno Vivek Kumar no desenvolvimento da nova terapia.

Coagulantes e anticoagulantes

O hidrogel poderá ser muito útil em cirurgias, particularmente para doentes que tomam fármacos anticoagulantes. Por exemplo, pacientes que tomam heparina, uma droga anticoagulante, podem ter problemas sérios com sangramentos durante as operações.

A batroxobina é conhecida por suas propriedades coagulantes - uma substância que estimula a coagulação do sangue - desde 1936. Ela tem sido utilizada em diversas terapias, como forma de remover o excesso de proteínas de fibrina do sangue para o tratamento de trombose e como um hemostático tópico. Também tem sido utilizada como uma ferramenta de diagnóstico para determinar o tempo de coagulação do sangue na presença da heparina.

O novo trabalho se baseia sobretudo na junção da substância a um suporte de hidrogel injetável, que facilita sua inserção no ponto exato do sangramento.

"Para ser claro, nós não descobrimos nem fizemos nenhuma das investigações iniciais da batroxobina," reconhece Hartgerink. "Suas propriedades são bem conhecidas há décadas. O que fizemos foi combiná-la com o hidrogel que estamos desenvolvendo há muito tempo."

Embora a batroxobina já esteja aprovada para uso humano, o novo hidrogel deverá agora iniciar esse processo junto às autoridades de saúde, o que poderá levar alguns anos.


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