Verniz previne cáries e infecções respiratórias

Xilitol

O xilitol é uma substância que inibe o crescimento e a aderência de bactérias na cavidade bucal, prevenindo a cárie dentária e as infecções das vias aéreas superiores (como a otite média aguda). Ele pode ser encontrado em alguns tipos de gomas de mascar anticárie, porém, para que realmente tenha um efeito protetor contra cáries e infecções respiratórias, seria preciso mascar cerca de cinco chicletes ao dia, durante 15 minutos cada um.

Liberação controlada

Foi pensando numa maneira mais prática de administrar essa substância que a fonoaudióloga Agnes de Fátima Faustino Pereira desenvolveu um verniz dentário que libera, aos poucos, o xilitol para a boca. O tema foi pesquisado em seu mestrado, apresentado na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP em março deste ano.

A idéia era justamente descobrir um veículo para administrar o xilitol que não fosse em forma de goma de mascar e que tivesse a mesma atividade antibacteriana. "Nosso resultado final é um verniz transparente que gruda nos dentes e libera a substância gradualmente ao longo do dia", conta. A orientação da pesquisa foi da professora Magali de Lourdes Caldana e a co-orientação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf, ambas da FOB.

Verniz patenteado

O verniz está em processo de patente e, atualmente, está sendo aprimorado no Laboratório de Bioquímica da FOB. No último mês de setembro, em São Paulo, a pesquisa recebeu o Prêmio Inovar Odontoprev - Programa de Incentivo à Pesquisa e Gestão, por meio do trabalho "Estudo dos efeitos de um verniz contendo xilitol sobre a contagem e ultra-estrutura de S.mutans e S.sobrinus", de autoria do odontopediatra Thiago Cruvinel da Silva - outro pesquisador do xilitol na FOB -, a co-autoria de Agnes, e a orientação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf, do Laboratório de Bioquímica.

Verniz de açúcar

O xilitol é um tipo de açúcar, naturalmente encontrado em frutas, como morango e amora, levemente adocicado e que apresenta 40% menos calorias que o açúcar refinado. Durante o mestrado, foram realizados testes para verificar como ocorria a liberação da substância em saliva artificial, ao longo do tempo, após a aplicação do verniz contendo 10% e 20% do açúcar. "O verniz contendo 10% de xilitol liberou maiores concentrações do açúcar em períodos de tempo mais longos (por até 72 horas após sua aplicação), denotando-se em uma liberação mais lenta e homogênea", afirma Agnes.

Invenção premiada

Segundo a fonoaudióloga, o recebimento do prêmio representa um incentivo a mais para dar continuidade à pesquisa. "Agora estou desenvolvendo o doutorado onde pretendo avaliar quais as mudanças que a aplicação do verniz proporciona na população de bactérias presentes na boca", conta Agnes. Ela destaca que um outro aspecto importante deste trabalho é que atualmente, na FOB, e sob a coordenação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf, várias outras pesquisas - além do seu doutorado - estão sendo realizadas com o verniz.

"Nos dias atuais se gasta muito dinheiro com antibióticos para tratar infecções de vias aéreas superiores. Ao mesmo tempo, a resistência bacteriana está cada vez maior. É preciso desenvolver outras formas alternativas de prevenção contra esses microorganismos", destaca a pesquisadora.

Acessível à população

O ideal, segundo Agnes, seria tornar a aplicação deste verniz totalmente acessível à população. "Porém da mesma maneira que hoje o verniz com flúor precisa ser aplicado por dentistas, acreditamos que, num primeiro momento, a aplicação de verniz contendo xilitol será realizada apenas por dentistas", informa. De acordo com a fonoaudióloga, a aplicação poderia ser feita diária, semanal ou mensalmente, dependendo da formulação do verniz.


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