Comer pode realmente se tornar um vício?

Cientistas que se debruçam sobre as pesquisas em torno dos vícios estão divididos quanto ao problema das pessoas que comem demais.

Comer é realmente um vício? E se for, como essa dependência poderia ser tratada?

Mais ainda: se a compulsão por se alimentar excessivamente realmente existe, seria ela a causa do aumento da obesidade em todo o mundo?

Tentar controlar um vício pode ser algo extremamente penoso, como qualquer pessoa que já tentou parar de fumar ou beber pode testemunhar.

Uma das técnicas mais usadas é evitar o objeto do vício, abandonando visitas a bares ou parando de estocar cigarros em casa, por exemplo.

Mas medidas como essas nem sempre são bem-sucedidas e, muito frequentemente, são seguidas por recaídas.

E o que fazer quando a pessoa é viciada em algo que precisa ter em casa e que, pior ainda, precisa consumir pelo menos três vezes ao dia?

Vício de comer

À medida que os níveis de obesidade aumentam, a comunidade científica debate se o hábito de comer de forma compulsiva pode ser definido como um vício.

A União Europeia financiou um projeto chamado NeuroFAST para reunir todas as evidências encontradas.

Eles são cautelosos.

Até agora há apenas um tipo de distúrbio alimentar que pode envolver vício: a compulsão alimentar, um problema caracterizado pelo consumo exagerado de alimentos, uma condição geralmente associada à obesidade.

O ato de comer de forma compulsiva causa danos psicológicos e físicos, assim como outros tipos de vício.

Estudos já mostraram que o mecanismo molecular que leva os indivíduos ao vício em drogas é o mesmo que está por trás da compulsão pela comida.

Mas nem todos os cientistas concordam.

A professora Jane Ogden, psicóloga da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha, acredita que o rótulo de vício pode ser prejudicial para quem tem compulsão por comida porque isenta a responsabilidade pessoal e dificulta a recuperação.

"O mundo dos vícios transmite a narrativa de que você não tem controle, de que componentes do seu cérebro estão pedindo por mais açúcar ou chocolate", diz ela.

Comer menos

No geral, tratamentos para vícios têm como objetivo criar abstinência ou reduzir os danos, por exemplo, ao receitar metadona ou chiclete de nicotina.

No caso da comida, não há substitutos - apenas deve-se comer menos.

Mas existe pelo menos uma técnica mais radical.

No caso da compulsão alimentar, o corpo pode ser alterado pela cirurgia bariátrica, que consiste em instalar um anel gástrico para restringir o volume do estômago.

Um estudo norueguês recente mostra que a questão pode ser ainda mais complicada: segundo Brynjar Foss e Sindre Dyrstad, a obesidade pode não ser apenas uma consequência, mas igualmente uma causa de algo:


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