Viciado em Amor? Há dois tipos de vício, e ambos podem ferir

Vício em amor
Se você acredita que deve levar seu amor às últimas consequências, talvez seja hora de repensar seus sentimentos.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Vício em amor

Você não quer comer, não consegue dormir e tudo o que pensa é na próxima vez em que encontrará sua cara-metade?

Você pode estar viciado em amor.

É claro que a ideia de que as pessoas possam sequer ser viciadas em amor é polêmica.

"Fica complicado porque as pessoas discordam sobre a teoria da dependência, e as pessoas discordam especialmente sobre o que queremos dizer quando usamos o termo 'amor'," comenta o professor Brian Earp, do Centro de Neuroética da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Por outro lado, um romance intenso pode frequentemente vir acompanhado de "sintomas" que tipicamente se assemelham àqueles do vício - euforia, desejo, dependência, recolhimento e recaída - e varreduras do cérebro por meio de exames neurológicos mostram que a paixão romântica intensa ativa os mesmos centros da recompensa do cérebro que o uso de drogas.

São esses casos que o professor Earp e seu colega Anders Sandberg usam para falar em "vício em amor".

"Eu acredito que é quando você percebe que não quer estar apaixonado, mas ainda assim não consegue evitar, e isso gera coisas ruins, como o abuso, quando cruzamos a linha para algo semelhante ao vício," disse Sandberg.

Vício amoroso "estreito"

Mais do que fundamentar o conceito de vício amoroso, Earp e Sandberg acreditam ter encontrado indícios de que existem de fato dois tipos diferentes de vício em amor. Essa conclusão veio depois que a equipe revisou 64 estudos científicos sobre amor e vício, publicados entre 1956 e 2016.

Vício em amor
Se o amor está lhe fazendo sentir-se literalmente "amarrado", você pode ter um de dois tipos de vício em amor.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

As pessoas que se sentem desesperadamente sozinhas quando não estão em um relacionamento e tentam substituir um ex-parceiro imediatamente podem ter o que a equipe chamou de uma forma "estreita" de dependência amorosa.

Essas pessoas não conseguem superar os fortes desejos de estar próximas do objeto de suas afeições. Elas querem passar todo seu tempo com eles, e desenvolvem pensamentos e comportamento obsessivos. Em casos extremos, isso levou à perseguição e até ao assassinato.

Vícios como esses envolvem problemas de controle e dificuldades sociais. Como outros tipos de vícios, esse comportamento é marcado por processos anormais no cérebro que reforçam os sinais de recompensa.

Vício amoroso "amplo"

A equipe encontrou também evidências de um segundo tipo de dependência amorosa, que eles chamam de "amplo", que cai no mesmo espectro do amor normal, mas com ânsias mais fortes, ainda que controláveis.

Esta categoria baseia-se em observações de comportamentos semelhantes aos vícios em drogas - lícitas ou ilícitas -, como uma corrente de euforia após cada encontro, mas desespero, tristeza e depressão quando os relacionamentos chegam a um fim abrupto.

Alguns pesquisadores não consideram esse tipo de comportamento um vício, porque experimentar esses estágios não é necessariamente ruim para uma pessoa no longo prazo.

Entretanto, a equipe de Earp e Sandberg acredita ter encontrado evidências de que pessoas com ambos os tipos de vício do amor podem ter impactos prejudiciais em suas vidas. Em alguns casos, ser viciado em amor parece ter contribuído para que pessoas permaneçam em relacionamentos abusivos, ou sigam um líder cultuado.


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