Vírus da dengue torna mosquito mais faminto

Vírus da dengue torna mosquito mais faminto
A ilustração mostra a presença do vírus da dengue no sistema sensorial do mosquito (antenas e palpos) e nos órgãos de alimentação (probóscide).
[Imagem: Johns Hopkins]

Vírus que controla genes

Quando o mosquito Aedes aegypti é infectado com o vírus da dengue, o vírus induz alterações genéticas que aumentam sua fome e sua capacidade de se alimentar.

Segundo os cientistas da Universidade Johns Hopkins (EUA), que fizeram a descoberta, isso torna o pernilongo mais propenso a espalhar a doença para os seres humanos.

Especificamente, eles descobriram que a infecção do vírus da dengue na glândula salivar do mosquito desencadeia uma resposta que envolve genes de três grupos: do sistema imunológico do inseto, do seu comportamento alimentar e da capacidade do mosquito para sentir odores.

Mosquito faminto

"Nosso estudo mostra que o vírus da dengue infecta os órgãos do mosquito, as glândulas salivares e as antenas, que são essenciais para encontrar e se alimentar [do sangue] de um hospedeiro humano," explicou George Dimopoulus, orientador do estudo.

Esta infecção "liga" genes associados à produção de proteínas que ajudam o animal a detectar odores.

"O vírus pode, portanto, melhorar a capacidade do mosquito em procurar hospedeiros, e pode - pelo menos teoricamente - aumentar a eficiência de transmissão [do vírus], embora nós ainda não compreendamos totalmente as relações entre a eficiência na alimentação e a transmissão do vírus.

"Em outras palavras, um mosquito faminto com uma melhor capacidade para encontrar o alimento tem maior probabilidade de propagar o vírus da dengue," completou o pesquisador.

Genes influenciados pelo vírus

O estudo revelou que a infecção pelo vírus da dengue influencia 147 genes que atuam em vários processos, incluindo a transmissão do vírus, a imunidade, a alimentação por sangue e a busca de hospedeiros.

Análises subsequentes mostraram que silenciar - ou "desligar" - dois genes ligados à sensação de odores resulta na normalização da capacidade do mosquito em localizar novas fontes de alimentação.

"Demonstramos pela primeira vez que um patógeno humano pode modular genes relacionados com a alimentação e com o comportamento do seu mosquito vetor, e o impacto disso sobre a transmissão da doença pode ser significativo," disse Dimopoulos.


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