Você percebe que sua memória está pior? Então talvez não seja Alzheimer

Você percebe que sua memória está pior? Então talvez não seja Alzheimer
As duas principais hipóteses sobre as causas do Alzheimer estão sendo contestadas pelas pesquisas: as fibras de proteína tau no cérebro também podem ter efeito protetor contra o Alzheimer, dependendo de onde atuam; e os medicamentos baseados na hipótese da beta-amiloide têm falhado um após o outro.
[Imagem: Arne Ittner et al. - 10.1126/science.aah6205]

Anosognosia

As pessoas que não percebem que estão começando a apresentar problemas de memória têm maior risco de ver sua condição piorar em um curto período de tempo.

Algumas condições cerebrais podem interferir com a capacidade de um paciente compreender que está passando por um problema médico. Essa desordem neurológica, conhecida como anosognosia, vinha sendo apontada como estando associada à doença de Alzheimer.

Essa suspeita agora foi confirmada por uma equipe da Universidade McGill (Canadá).

Joseph Therriault e Pedro Rosa Neto demonstraram que os indivíduos que experimentam essa falta de consciência da perda de memória apresentam uma probabilidade três vezes maior de desenvolver demência nos dois anos seguintes.

Lembrar de problemas de memória

A equipe analisou 450 pacientes com déficits de memória leves, mas ainda capazes de cuidar de si mesmos. Os pacientes foram entrevistados para avaliar suas habilidades cognitivas, enquanto parentes próximos preencheram levantamentos semelhantes. Quando um paciente relatou não ter problemas cognitivos, mas o membro da família relatou dificuldades significativas, ele foi considerado com tendo uma má consciência de sua condição.

Comparando os grupos com consciência e sem consciência de seus próprios problemas de memória, ficou claro que aqueles que sofrem de anosognosia têm um maior comprometimento da função metabólica do cérebro e maiores taxas de deposição de amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer.

Um acompanhamento, dois anos depois, mostrou que os pacientes que desconheciam seus problemas de memória foram mais suscetíveis a desenvolver demência, mesmo levando em consideração outros fatores como risco genético, idade, gênero e educação. O aumento da progressão para a demência foi refletido pelo aumento da disfunção metabólica do cérebro em regiões vulneráveis à doença de Alzheimer.

"Isso tem aplicações práticas para os clínicos: pessoas com queixas de problemas leves de memória devem ter uma avaliação que leve em consideração informações coletadas de informantes confiáveis, como familiares ou amigos íntimos," disse o Dr. Serge Gauthier, coautor do trabalho.


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