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10/03/2010

Você sabe o que significa "fazer sexo"?

Redação do Diário da Saúde
Você sabe o que significa
Quando as pessoas afirmam que tiveram relações sexuais é melhor não tentar descrever o que de fato aconteceu, porque "fazer sexo" tem significados muito diferentes para cada pessoa. [Imagem: Wikimedia]

O que é "fazer sexo"?

Quando as pessoas afirmam que tiveram relações sexuais é melhor não tentar descrever o que de fato aconteceu, porque "fazer sexo" tem significados muito diferentes para cada pessoa.

Um novo estudo feito na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, descobriu que não existe nenhum consenso quando uma amostra representativa de pessoas, com idades de 18 a 96 anos, foi perguntada sobre o que a expressão "fazer sexo" significava para eles.

O sexo oral é considerado "fazer sexo"? Não é para cerca de 30 por cento dos participantes do estudo.

O que dizer do sexo anal? Para cerca de 20 por cento dos participantes, também não.

Um número surpreendentemente alto de homens mais velhos não considerou sequer a relação peniana-vaginal como significando fazer sexo.

Informação e desinformação

Mais do que fofocas sem sentido, as respostas às perguntas sobre sexo podem informar - ou desinformar - as investigações científicas, o aconselhamento médico e os esforços de educação em saúde.

"Pesquisadores, médicos, pais e profissionais de educação sexual devem ser muito cuidadosos e não assumir que a sua própria definição de fazer sexo é compartilhada pela pessoa com quem se está falando, seja um paciente, um estudante, uma criança ou um participante de uma pesquisa científica," disse Brandon Hill, coautor do estudo.

Clinton e Mônica

O estudo aprofunda uma pesquisa feita em 1999, em meio ao escândalo sexual do então presidente Bill Clinton, quando a definição de fazer sexo tornou-se uma questão de interesse nacional nos Estados Unidos.

Os pesquisadores então pediram a estudantes universitários que descrevessem o que a expressão "fazer sexo" significava para eles. Na época, não se chegou a um consenso.

O novo estudo, publicado no número de Fevereiro da revista Sexual Health, pretendia verificar se mais informações ajudariam a esclarecer o assunto. Para isso, os estudantes foram questionados sobre comportamentos sexuais específicos, além de qualificadores - como se o orgasmo foi atingido, por exemplo.

A amostra também foi ampliada, já que os pesquisadores queriam abordar um público mais representativo, e não apenas os estudantes universitários.

Sexo mais confuso

"Ampliar a audiência, com uma amostra mais representativa, apenas tornou a coisa ainda mais confusa e complicada," disse Hill. "As pessoas mostraram-se ainda menos coerentes."

A pergunta feita na pesquisa foi: "Você diria que 'fez sexo' com alguém se o comportamento mais íntimo que vocês se envolveram foi ..." - seguido por 14 itens de comportamentos específicos. Aqui estão alguns dos resultados:

As respostas não diferiram significativamente entre homens e mulheres. O estudo envolveu 204 homens e 282 mulheres, a maioria heterossexuais.

95 por cento dos entrevistados considera o intercurso peniano-vaginal como significando ter tido relações sexuais, mas esta taxa cai para 89 por cento se não houver a ejaculação.

81 por cento considerou o coito peniano-anal como ter tido relações sexuais, com a taxa caindo para 77 por cento para os homens na faixa etária mais jovem (18-29), 50 por cento para os homens no grupo etário mais idoso (65 anos e acima) e 67 por cento para as mulheres no grupo etário mais idoso.

71 por cento consideraram o contato oral com a genitália do parceiro como tendo feito sexo se o respondente foi quem fez o contato, e 73 por cento se o respondente recebeu o contato.

Número de parceiros sexuais

Hill afirma que é comum para um médico, ao ver um paciente com sintomas de doenças sexualmente transmissíveis, perguntar quantos parceiros sexuais o paciente tem ou teve.

A pesquisa mostra que o número respondido irá variar de acordo com as definições de cada paciente. Desta forma, a única saída é que o profissional seja mais específico em sua pergunta.

"Há uma indefinição do que significa fazer sexo em nossa cultura e na mídia," dizem os pesquisadores. "Se as pessoas não consideram determinados comportamentos como sendo sexo, eles podem achar que determinadas mensagens sobre comportamentos de risco não dizem respeito a eles. A epidemia de AIDS obrigou-nos a ser muito mais específicos sobre os comportamentos, tanto quanto a identificar os comportamentos específicos que põem as pessoas em risco, em vez apenas de sexo em geral. Mas ainda há espaço para melhorias."


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