14/08/2020

Anticorpos de cavalos são 100 vezes mais potentes contra covid-19

Redação do Diário da Saúde
Anticorpos de cavalos são 100 vezes mais potentes contra covid-19
Os pesquisadores já estão produzindo o soro, que deverá a seguir passar por testes em pacientes humanos.
[Imagem: UFRJ/Faperj]

Plasma sanguíneo

Pesquisadores brasileiros descobriram que o soro extraído do sangue de cavalos pode não apenas ser usado para o tratamento da covid-19, como, em alguns casos, a substância apresenta uma potência até 100 vezes maior em termos de anticorpos neutralizantes do vírus gerador da doença.

Os cavalos já são usados há décadas na produção de soros antiofídicos e antitetânicos.

Agora, os animais foram inoculados com a proteína S recombinante do novo coronavírus, e, após 70 dias, os plasmas dos animais apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 100 vezes mais potentes contra o novo coronavírus do que os plasmas de pessoas que tiveram covid-19 e estão em convalescência.

Anticorpos

O Instituto Butantan já está produzindo plasma sanguíneo para tratamento da covid-19 a partir de pacientes recuperados, mas os cavalos parecem ser uma fonte muito mais potente, garante o pesquisador Jerson Lima Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que trabalhou com colegas do Instituto Vital Brazil e Fiocruz.

"Os animais nos deram uma resposta impressionante de produção de anticorpos. Inoculamos em cinco e agora estamos expandindo para mais cavalos," contou Jerson.

Quatro dos cinco animais responderam muito rapidamente. "O quinto (animal), assim como acontece nos humanos, teve uma resposta mais demorada, mas também respondeu produzindo anticorpos," disse o pesquisador.

Outra vantagem do estudo é que ele é complementar às vacinas contra o vírus. A ideia é que o soro produzido a partir dos plasmas dos equinos inoculados seja usado como tratamento, por meio de uma imunoterapia, ou imunização passiva. A vacina, quando desenvolvida, continua sendo essencial para a prevenção.

Soroterapia

Após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), o grupo de pesquisadores vai iniciar os testes clínicos, com foco nos pacientes com diagnóstico confirmado de covid-19 que estejam internados, mas não se encontram em unidades de terapia intensiva.

Os testes vão comparar quem recebeu o tratamento com quem não recebeu. "A gente está bem otimista. Mas essa é uma etapa que tem de ser feita", disse Jerson.

A soroterapia é um tratamento bem-sucedido, usado, há décadas, contra doenças como raiva, tétano e picadas de abelhas, cobras e outros animais peçonhentos, como aranha e escorpiões.

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