Brasileiros descobrem caminho para tratar Alzheimer

Brasileiros descobrem caminho para tratar Alzheimer
As sinapses (em verde) neste neurônio foram restauradas pela ação do hormônio irisina.
[Imagem: Mychael V. Lourenco et al. (2019)]

Exercícios contra Alzheimer

Acrescente mais uma doença que pode ser prevenida pela atividade física: o mal de Alzheimer.

Embora os benefícios dos exercícios físicos sejam bem conhecidos na prevenção de doenças cardiovasculares e endócrinas, estudos realizados nos últimos anos indicavam que a atividade física pode também trazer benefícios para pacientes afetados pelo Alzheimer nos estágios iniciais da doença e, na verdade, até superam os medicamentos na prevenção da doença.

No entanto, muito pouco se sabia sobre como o exercício dispara sinais no cérebro dos pacientes para promover tais benefícios neurológicos.

Uma equipe da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) liderou uma pesquisa internacional que revelou agora que um hormônio recentemente descoberto - a irisina - pode ser a chave para entender os benefícios dos exercícios físicos sobre o Alzheimer.

Os pesquisadores demonstraram que a irisina, já sabidamente produzida pelos músculos, também pode ser produzida pelo cérebro em resposta ao exercício físico.

Irisina

Os primeiros estudos haviam indicado que a função da irisina seria regular o metabolismo do tecido adiposo, onde ficam armazenadas as reservas de gordura do corpo, em resposta ao exercício físico. No entanto, o novo estudo mostra que a irisina também tem efeitos benéficos no cérebro, ao promover mecanismos que protegem as sinapses e favorecem a manutenção da memória.

A equipe inicialmente constatou que a irisina se encontra em níveis bastante diminuídos nos cérebros de pacientes afetados pelo Alzheimer, assim como no cérebro dos camundongos que são utilizados como modelos experimentais da doença.

"Isso nos levou a imaginar que a falta de irisina no cérebro poderia ser prejudicial às sinapses e, portanto, poderia prejudicar a memória," explicou o pesquisador Mychael Lourenço, principal autor do estudo.

Confirmando essa hipótese, eles descobriram que a reposição dos níveis de irisina no cérebro de diferentes formas, inclusive através do exercício físico, foi capaz de reverter a perda de memória dos camundongos afetados pelo Alzheimer. Mais ainda, os pesquisadores descobriram que a irisina atua como responsável pelos efeitos benéficos do exercício físico no cérebro e na memória dos camundongos.

Tratamento do Alzheimer

Esses resultados revelam que a irisina é um novo alvo para o desenvolvimento de tratamentos para o Alzheimer. Além disso, as descobertas do grupo brasileiro reforçam a importância da atividade física para prevenir a perda de memória e doenças do cérebro, incluindo as demências e demais doenças neurodegenerativas.

"Este novo estudo demonstra, ainda, que a administração de irisina consegue mimetizar, ao menos em modelos animais, os efeitos do exercício físico no cérebro, o que pode ser terapeuticamente importante para pacientes idosos que não conseguem mais se exercitar adequadamente," disse a professora Fernanda de Felice.

"Por se tratar de um hormônio produzido pelo próprio organismo humano, imagina-se que a irisina poderia trazer menos efeitos colaterais adversos em futuros testes clínicos com seres humanos e, especialmente, em pacientes afetados pela doença de Alzheimer," prevê o professor Sérgio Ferreira, outro membro da equipe.

O estudo, que contou com a participação de pesquisadores das universidades Colúmbia (EUA) e Queens (Reino Unido), foi publicado na revista Nature Medicine.


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