Brasileiros descobrem rota para interromper a asma alérgica

Brasileiros descobrem rota para interromper a asma alérgica
Pesquisadores brasileiros identificaram uma proteína que pode controlar doenças alérgicas e, possivelmente, doenças autoimunes e certos tipos de câncer.
[Imagem: Luciana Benevides et al. - 10.1016/j.jaci.2018.06.046]

Asma alérgica

A cura da asma alérgica pode estar bem próxima.

Um grupo de pesquisadores brasileiros conseguiu impedir que a condição, depois de manifestada, prosseguisse em cobaias.

Para isso, eles aumentaram a quantidade de uma proteína, chamada IL-9, que bloqueou os linfócitos T CD4, que são responsáveis pela produção da citocina que desencadeia a cascata de eventos que resulta no início e na progressão da asma alérgica.

"O que atualmente se administra em pessoas com alergia ou asma brônquica são medicamentos como anti-histamínicos, broncodilatadores e corticoides, que inibem sintomas da doença, além de inibir a resposta celular, incluindo a dos linfócitos TH2.

"No entanto, as células TH2 levam à produção de substâncias responsáveis pela sintomatologia; então o tratamento é só de sintomas como coriza, dificuldade de respirar, entre outros. O que nós descobrimos é que, se forem bloqueados outros linfócitos T, os TH9, a doença vai ter uma resolução efetiva, bloqueando inclusive a produção de substâncias que causam os sintomas," explicou o professor João Santana da Silva, da USP de Ribeirão Preto (SP).

Os diferentes experimentos permitiram confirmar que, quando o gene Blimp-1 é superexpresso, há um aumento da proteína que ele produz, de mesmo nome, que por sua vez bloqueia a ação dos linfócitos que produzem a citocina IL-9, que causa a inflamação alérgica das vias aéreas. Quando a IL-9 é bloqueada a resposta alérgica diminui e, consequentemente, a evolução da doença.

Agora que se sabe como a doença pode ser interrompida em cultura de células e em animais, o próximo passo é desenvolver um medicamento que controle a expressão da proteína, testando-o em modelos experimentais e em humanos.

Doenças autoimunes e câncer

"A descoberta mais importante é a de uma nova função de um fator de transcrição que já era conhecido, mas que agora sabemos que é capaz também de inibir a diferenciação dos linfócitos T produtores de IL-9. Isso abre uma perspectiva para estudar várias doenças em que as células TH9 estão envolvidas," disse Luciana Benevides, pesquisadora responsável pela descoberta.

Por isso, a equipe pretende elaborar um fármaco que possa induzir a expressão do Blimp-1 para controlar as células TH9, e então testá-lo não apenas para a asma, mas também em outras doenças.

Ocorre que, no caso de tipos de câncer como o melanoma, ensaios preliminares mostraram que, quando há uma diminuição da expressão do Blimp-1, o aumento resultante do TH9 proporciona uma diminuição do tumor. Por isso, um eventual medicamento contra o câncer advindo desta linha de pesquisa inibiria a expressão do Blimp-1, enquanto para asma e doenças autoimunes ele deve aumentar essa expressão.

"Estamos testando o papel na regulação de células TH9 em outros modelos experimentais, como em tumores, mais ainda é cedo para tirar qualquer conclusão," disse Luciana.


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