29/09/2026

Cérebro das crianças é feito para se distrair - e isso é bom

Redação do Diário da Saúde

Cérebros de crianças e adultos

Enquanto os seres humanos adultos parecem depender de mapas mentais internos para realizar suas rotinas diárias, o cérebro das crianças pequenas parece estar programado para a distração.

Ao revisar todas as pesquisas disponíveis sobre o cérebro infantil, cientistas concluíram que o que pode parecer e ser sentido como puro caos - ou pior, obstinação - é uma importante janela para entender como as mentes em desenvolvimento pensam e aprendem por meio da exploração do mundo e do ambiente.

"As crianças tendem a explorar amplamente e, apesar dos custos, a exploração traz benefícios importantes, especialmente no início do desenvolvimento, quando elas sabem pouco. Elas são seres humanos aprendendo a ser humanos," resumiu o professor Vladimir Sloutsky, da Universidade do Estado de Ohio (EUA).

Ao escolher entre experimentar algo novo (exploração) ou repetir ações que já se mostraram eficazes (usufruto), aprendizes de todas as idades se deparam com o que os pesquisadores chamam de "dilema exploração-usufruto": Experimentar coisas novas pode se revelar um desperdício de tempo e energia, mas repetir ações familiares pode impedir a aquisição de novas habilidades ou conhecimentos.

Os adultos tendem a ser mais usufrutuários, usando e tirando proveito do seu conhecimento prévio, preferindo repetir ações que já levaram a resultados bem-sucedidos e gratificantes. As crianças, por sua vez, são menos seletivas quanto ao foco de sua atenção.

Embora a falta de foco das crianças possa se tornar um teste de paciência para os pais, ela cumpre um propósito evolutivo crucial, garantindo que os pequenos absorvam o máximo de informações possível sobre o mundo. "Como elas não têm um sistema de memória de trabalho totalmente desenvolvido, as crianças exploram e reavaliam as informações, especialmente em situações menos familiares. Um adulto decide rapidamente o que merece atenção e o que não. As crianças não tomam essas decisões seletivas com a mesma rapidez," descreveu Sloutsky.

"Como as crianças exploram, elas podem não otimizar imediatamente o benefício da melhor opção, mas também não sairão perdendo se algo no ambiente mudar. É aí que o comportamento exploratório se torna muito benéfico, protegendo-as de ficarem presas ao próprio conhecimento no início do desenvolvimento," concluiu o pesquisador.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Working memory, exploration, and cognitive development
Autores: Vladimir M. Sloutsky, Qianqian Wan, Brandon M. Turner
Publicação: Trends in Cognitive Sciences
DOI: 10.1016/j.tics.2026.07.007
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