
Cérebros de crianças e adultos
Enquanto os seres humanos adultos parecem depender de mapas mentais internos para realizar suas rotinas diárias, o cérebro das crianças pequenas parece estar programado para a distração.
Ao revisar todas as pesquisas disponíveis sobre o cérebro infantil, cientistas concluíram que o que pode parecer e ser sentido como puro caos - ou pior, obstinação - é uma importante janela para entender como as mentes em desenvolvimento pensam e aprendem por meio da exploração do mundo e do ambiente.
"As crianças tendem a explorar amplamente e, apesar dos custos, a exploração traz benefícios importantes, especialmente no início do desenvolvimento, quando elas sabem pouco. Elas são seres humanos aprendendo a ser humanos," resumiu o professor Vladimir Sloutsky, da Universidade do Estado de Ohio (EUA).
Ao escolher entre experimentar algo novo (exploração) ou repetir ações que já se mostraram eficazes (usufruto), aprendizes de todas as idades se deparam com o que os pesquisadores chamam de "dilema exploração-usufruto": Experimentar coisas novas pode se revelar um desperdício de tempo e energia, mas repetir ações familiares pode impedir a aquisição de novas habilidades ou conhecimentos.
Os adultos tendem a ser mais usufrutuários, usando e tirando proveito do seu conhecimento prévio, preferindo repetir ações que já levaram a resultados bem-sucedidos e gratificantes. As crianças, por sua vez, são menos seletivas quanto ao foco de sua atenção.
Embora a falta de foco das crianças possa se tornar um teste de paciência para os pais, ela cumpre um propósito evolutivo crucial, garantindo que os pequenos absorvam o máximo de informações possível sobre o mundo. "Como elas não têm um sistema de memória de trabalho totalmente desenvolvido, as crianças exploram e reavaliam as informações, especialmente em situações menos familiares. Um adulto decide rapidamente o que merece atenção e o que não. As crianças não tomam essas decisões seletivas com a mesma rapidez," descreveu Sloutsky.
"Como as crianças exploram, elas podem não otimizar imediatamente o benefício da melhor opção, mas também não sairão perdendo se algo no ambiente mudar. É aí que o comportamento exploratório se torna muito benéfico, protegendo-as de ficarem presas ao próprio conhecimento no início do desenvolvimento," concluiu o pesquisador.
| Ver mais notícias sobre os temas: | |||
Cérebro | Educação | Concentração | |
| Ver todos os temas >> | |||
A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2026 www.diariodasaude.com.br. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.