
Curativo de luz
Assim como o povo Na'vi no filme Avatar cura feridas com a luz sob a Árvore das Almas, a luz ambiente agora pode ser usada para ajudar a tratar feridas na pele dos humanos.
Essa aparente "mágica" é feita por um curativo adesivo que promove simultaneamente o fechamento de feridas e a regeneração de tecidos usando luz ambiente ou luz solar - sem baterias ou fonte de energia elétrica externa.
Na verdade, diversas tecnologias para o tratamento de feridas com luz têm sido desenvolvidas nos últimos anos: Quando uma ferida é exposta à luz em um comprimento de onda específico, as moléculas de colágeno na interface da ferida podem ser reticuladas, permitindo o fechamento do ferimento sem suturas ou adesivos teciduais - essa técnica é conhecida como ligação fotoquímica de tecido. A luz também pode regular o metabolismo celular e as respostas inflamatórias, promovendo assim a rápida reparação tecidual por meio de um processo conhecido como fotobiomodulação.
Funciona muito bem, mas os dispositivos exigem LEDs, lasers, fibras ópticas, baterias e circuitos de controle, o que fica grande demais para ser usado com conforto e discrição.
Kyungjoo Jo e colegas da Universidade de Tecnologia Pohang (Coreia do Sul) resolveram o problema criando uma versão dessa terapia fotônica que pode ser aplicada por meio de um curativo adesivo leve e confortável.

Fototerapia por curativo
O avanço consiste em tirar proveito da luz ambiente e da luz solar, que as pessoas encontram rotineiramente no dia a dia. No centro da tecnologia estão partículas luminescentes ativadas por luz, que convertem a luz ambiente e a luz solar na luz vermelha necessária para a fototerapia.
Mesmo quando a luz ambiente é brevemente interrompida, as partículas continuam a emitir um brilho residual, semelhante aos adesivos que brilham no escuro. A luz vermelha emitida pelas partículas ativa o fotossensibilizador clorina e6, ou Ce6, induzindo a ligação cruzada do colágeno na interface da ferida e ajudando a selar incisões. Ao mesmo tempo, a luz vermelha promove a proliferação de fibroblastos e a migração celular, alivia a inflamação e estimula a formação de novo tecido. Em outras palavras, uma única plataforma emissora de luz realiza duas funções terapêuticas simultaneamente: Fechamento da ferida e regeneração tecidual.
Experimentos com modelos animais demonstraram efeitos terapêuticos claros: O fechamento da ferida foi acelerado e a regeneração tecidual foi significativamente melhorado. Além disso, uma avaliação preliminar em humanos, envolvendo a pele facial normal de adultos saudáveis, mostrou que o uso do adesivo por apenas 9 horas melhorou a recuperação da elasticidade da pele e reduziu a vermelhidão visível.
"Este estudo demonstra que a luz facilmente disponível no ambiente cotidiano pode ser usada para promover o fechamento de feridas e a regeneração de tecidos simultaneamente, sem a necessidade de uma fonte de energia elétrica externa," disse o professor Sei Hahn. "Com desenvolvimento adicional, essa tecnologia poderá se tornar uma plataforma de fotomedicina vestível de próxima geração, permitindo que os pacientes continuem o tratamento de feridas fora do ambiente hospitalar com mais comodidade."
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