Filtro colorido aumenta velocidade de leitura de crianças com dislexia

Filtro colorido aumenta velocidade de leitura de crianças com dislexia
Voluntários de 9 e 10 anos com dislexia diminuíram tempo para ler trechos de livros, o que pode ser resultado de maior ativação do córtex cerebral.
[Imagem: Milena Razuk]

Filtro para leitura

Um estudo publicado por pesquisadores brasileiros e franceses mostrou que crianças de 9 e 10 anos diagnosticadas com dislexia podem aumentar a velocidade de leitura simplesmente usando filtros verdes. O mesmo filtro não fez nenhum efeito em crianças sem o distúrbio.

Esses filtros coloridos foram patenteados em 1983 e já foram indicados não só para crianças com dislexia, como também para portadores de autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Segundo a pesquisadora Milena Razuk, os filtros não são muito utilizados no Brasil devido à falta de estudos, mesmo que o material seja adotado na França. "No entanto, os estudos feitos sobre sua eficácia tinham deficiências metodológicas. Pela primeira vez foi usada uma metodologia bastante rigorosa," disse.

Dislexia

Não se sabe quais as causas da dislexia, que faz com que os portadores tenham uma integração sensório-motora menos acurada. No entanto, a condição não significa uma deficiência intelectual. "É como se houvesse algum ruído que atrapalha a comunicação do cérebro com o resto do corpo," disse Razuk. Para o diagnóstico de dislexia, o Q.I. tem de ser normal ou acima da média." De fato, a dislexia faz parte de um conjunto de condições frequentemente envolvidas com a "medicalização", que transforma modo de ser em doença.

Entre os sinais apresentados pela criança em idade pré-escolar usados para diagnosticar a dislexia estão a dispersão; o fraco desenvolvimento da atenção; atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem; dificuldade de aprender rimas e canções; fraco desenvolvimento da coordenação motora; dificuldade com quebra-cabeças; falta de interesse por livros impressos.

Já na idade escolar, a criança pode apresentar dificuldade na aquisição e automação da leitura e da escrita; pobre conhecimento de rima e aliteração; desatenção e dispersão; dificuldade em copiar de livros e da lousa (quadro-negro); dificuldade na coordenação motora fina e ou grossa; desorganização geral, constantes atrasos na entrega de trabalho escolares e perda de seus pertences; confusão para nomear entre esquerda e direita; dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas etc.; vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas.

Velocidade de leitura

Para fazer a análise foram selecionadas 18 crianças com dislexia e outras 18 sem a condição, todas atendidas no Hospital Robert Debret, em Paris. Para o experimento, os cientistas escolheram os filtros amarelo e verde. As 36 crianças tiveram que ler trechos de livros infantis indicados para sua faixa etária, projetados em uma tela. Diferentes trechos eram lidos sem filtro, com o amarelo e com o verde.

Um aparelho apoiado na cabeça que mede os movimentos dos olhos e que enviam sinais infravermelhos para os olhos, detectavam onde o voluntário estava fixando o olhar e por quanto tempo. "A criança com dislexia precisa fixar mais tempo o olhar nas palavras para conseguir compreender o texto, por isso a velocidade de leitura é menor," disse o professor José Ângelo Barela, da Unesp em Rio Claro, coordenador do projeto.

O aparelho detectou que as crianças sem dislexia não apresentaram mudança na velocidade de leitura com os filtros e as com dislexia fixaram trechos de palavras ou de frases por 500 milésimos de segundo usando o filtro verde. Com o amarelo e sem filtro, o tempo era de 600 milésimos de segundo.


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