21/09/2026

Jogos - eletrônicos ou não - trazem benefícios e prejuízos para crianças

Redação do Diário da Saúde
Jogos - eletrônicos ou não - trazem benefícios e prejuízos para crianças
O resultado é muito similar ao verificado em adultos: Mergulhar nos jogos eletrônicos traz riscos e benefícios.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Efeitos dos jogos nas crianças

Após uma sessão rápida de jogo, seja digital ou tradicional, o desempenho das crianças em idade pré-escolar melhora em tarefas que exigem rapidez de resposta, mas diminui nas tarefas que requerem maior concentração e autocontrole.

Os jogos eletrônicos estão entre as formas de brincadeira mais envolventes na idade pré-escolar, além do que as tecnologias digitais são parte do cotidiano das crianças. No entanto, ainda não há consenso científico sobre suas consequências cognitivas e os efeitos a longo prazo no desenvolvimento cognitivo desde a primeira infância.

O caso das crianças em idade pré-escolar é especial, uma vez que os mecanismos cerebrais responsáveis pela atenção, pelo autocontrole e pela gestão de distrações ainda estão em desenvolvimento, de modo que os efeitos poderão ser mais marcantes do que em idades posteriores.

Foi justamente o que se propuseram a fazer Giovanna Puccio e colegas da Universidade de Padova (Itália), que monitoraram 48 crianças com desenvolvimento típico e idade média de 5,4 anos, para avaliar se uma breve sessão de jogo - digital ou não digital - altera o equilíbrio entre a atenção e o controle cognitivo.

Atenção e controle

Cada criança foi avaliada em três condições distintas: Uma sessão de 30 minutos de um jogo eletrônico de ação adaptado à idade (Mario Kart 8 Deluxe), uma sessão de igual duração com um jogo tradicional de construção (Tangram) e uma condição de controle, sem atividade lúdica. Após cada condição, as crianças realizaram testes que avaliavam a atenção, o processamento dos sons da fala, a percepção visual e a coordenação motora.

Os resultados mostraram que os jogos eletrônicos e os jogos tradicionais produzem efeitos imediatos semelhantes. Após as sessões de ambos os tipos de jogos, as crianças apresentaram melhor desempenho em tarefas que exigiam uma detecção rápida de estímulos relevantes. Por outro lado, o desempenho foi pior em tarefas que exigiam maior controle cognitivo.

Por exemplo, quando era necessário ignorar distrações visuais para se concentrar em uma tarefa, o desempenho das crianças diminuiu após as sessões de jogo. Além disso, os efeitos tornaram-se mais evidentes à medida que aumentava a complexidade das tarefas.

Em outras palavras, experiências lúdicas breves e emocionalmente envolventes - sejam videojogos ou jogos tradicionais - podem favorecer temporariamente os processos de atenção mais automáticos, em detrimento das capacidades de controle e regulação, que exigem maior esforço cognitivo. O fator determinante parece ser o grau de envolvimento psicológico e de ativação atencional proporcionados pela brincadeira, mais do que a natureza do jogo.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Brief digital and traditional gameplay transiently reallocate attentional resources in preschool children
Autores: Giovanna Puccio, Sandro Franceschini, Simona Carbone, Chiara Filotto, Simone Gori, Telmo Pievani, Viviana Trezza, Sara Mascheretti, Andrea Facoetti, Sara Bertoni
Publicação: Computers in Human Behavior Reports
Vol.: 23
DOI: 10.1016/j.chbr.2026.101183
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