27/08/2026

Quando o médico diz que sintoma é normal, pacientes entendem outra coisa

Redação do Diário da Saúde

Calma. Mas cuide-se

Que existem muitos médicos alarmistas é fato bem conhecido e documentado. Mas o oposto também é verdadeiro em muitos casos.

Acontece que, ante uma situação grave, quando o médico afirma para o seu paciente algo como "Não entre em pânico", muitos pacientes vão ressignificar isso para algo como "Não se preocupe" ou até mesmo "Está tudo normal".

Em outro exemplo, quando o médico tenta tranquilizar o paciente dizendo que seus "sintomas são normais" - seus sintomas, não sua condição - alguns pacientes podem inferir que não é necessário nem mesmo procurar um tratamento.

Essas conclusões se repetiram ao longo de 14 experimentos, envolvendo 9.371 participantes e uma ampla gama de condições de saúde, desde sintomas da menopausa e enxaquecas até dor de dente, alergias sazonais e níveis elevados de glicose no sangue.

"Os profissionais de saúde esperam que a normalização dos sintomas de um paciente aumente a probabilidade de sucesso do tratamento ou, na pior das hipóteses, que isso não teria impacto algum, mas os pacientes reagiram exatamente ao contrário," contou a pesquisadora Seyi Lawal, da Universidade da Califórnia de San Diego (EUA).

Quando o médico diz que sintoma é
Felizmente existe um jeito mais simples de comunicar o risco para os pacientes: Basta que os médicos o utilizem.
[Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay]

Esclareça, pergunte

A ideia para a pesquisa surgiu quando Lawal se viu envolvida na comunicação sobre sintomas da menopausa, com as pacientes relatando se sentir desconsideradas após serem informadas de que seus incômodos sintomas são simplesmente uma "parte normal do envelhecimento". Ela se perguntou se seria possível que médicos e pacientes estivessem interpretando as mesmas expressões de maneiras diferentes.

Para descobrir, ela idealizou 14 testes envolvendo o público e profissionais de saúde. Os participantes liam cenários médicos realistas, nos quais os profissionais de saúde descreviam os sintomas como "normais" ou não. Os pesquisadores então mediram a disposição dos participantes em buscar tratamento e compararam essa disposição com a expectativa dos profissionais de saúde em relação à conduta dos pacientes.

Os médicos usavam "normal" para significar comum e bem compreendido. Os pacientes, por sua vez, frequentemente interpretavam a palavra como "aceitável" ou seja, algo que não vale a pena tratar.

"Os médicos geralmente têm um objetivo nobre: Eles querem aliviar a ansiedade, mas de alguma forma isso acaba tendo o efeito contrário," comentou o professor On Amir. "Os médicos não devem parar de tranquilizar os pacientes. Mas devem deixar suas intenções inequívocas."

A principal mensagem para os pacientes, por sua vez, é: Se você não tiver certeza do que seu médico quer dizer quando afirma que um sintoma é normal, não presuma que isso significa que o tratamento não é recomendado ou que você deve simplesmente conviver com ele - pergunte, esclareça.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Reassurance through normalization inadvertently suppresses treatment
Autores: Seyi Lawal, Brianna Chew, On Amir
Publicação: Nature Human Behaviour
DOI: 10.1038/s41562-026-02542-0
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