
Luz e medicamento juntos
Pesquisadores da USP de São Carlos aprimoraram a terapia fotodinâmica, permitindo aumentar o alcance dessa técnica promissora e pouco invasiva para tratar de tumores mais profundos.
A terapia fotodinâmica utiliza um medicamento sensível à luz e um laser de cor específica para destruir células cancerígenas, sendo particularmente adequada para tratar o câncer de pele. No entanto, tanto o medicamento quanto a luz precisam atingir a mesma área do tecido, o que limita a eficácia do tratamento a áreas relativamente superficiais - o medicamento não penetra muito na pele e a luz perde intensidade ao passar pelos tecidos.
Michelle Requena e seus colegas desenvolveram uma solução que lida com ambos os problemas simultaneamente: Microagulhas carregadas com o medicamento proporcionam uma administração mais profunda e uniforme do que os cremes tradicionais.
Isso resultou em uma produção mais homogênea do composto fotoativado responsável por destruir as células cancerígenas após a exposição à luz.
Além disso, as próprias microagulhas melhoram a distribuição da luz. Para isso, os pesquisadores fabricaram conjuntos contendo centenas de microagulhas em formato de pirâmide, o que manteve uma intensidade semelhante em diversos ângulos de visão, indicando que as agulhas geram um padrão de iluminação multidirecional quase uniforme.

Agulhas multifuncionais
A tecnologia poderá ser usada de duas maneiras. Uma opção é usar primeiro microagulhas carregadas com o medicamento e, em seguida, aplicar uma segunda matriz de microagulhas projetada especificamente para melhorar a distribuição da luz.
Outra possibilidade é um sistema de microagulhas único que execute ambas as funções simultaneamente, liberando o medicamento e, ao mesmo tempo, guiando e redistribuindo a luz. Essa abordagem poderia simplificar o tratamento e melhorar a precisão, garantindo que a liberação do medicamento e a exposição à luz ocorram no mesmo local.
Embora agora seja necessário confirmar esse estudo de laboratório em condições realísticas, os resultados sugerem que as microagulhas dissolúveis podem fazer mais do que administrar medicamentos. Ao combinar a administração de medicamentos com uma melhor distribuição de luz em um único dispositivo biodegradável, elas podem ajudar a ampliar o alcance da terapia fotodinâmica e melhorar o tratamento de cânceres de pele que atualmente são difíceis de tratar apenas com luz.
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