
Músculos ajudando os ossos
Cientistas descobriram que células que normalmente ficam inativas no tecido muscular esquelético são recrutadas para o local de fraturas ósseas, onde se diferenciam em osteoblastos - as células formadoras de osso - e, no processo de cicatrização, contribuem com cerca de 28% dos osteoblastos presentes no calo de consolidação depois de três semanas.
Essas células que saem dos músculos para auxiliar os ossos foram batizadas de progenitores fibroadipogênicos, e agora se tornam um alvo terapêutico promissor para tentar acelerar a cura de fraturas ósseas.
Ezgi Aydin e seus colegas da Universidade de Sichuan (China) também descobriram um marcador genético específico (Clec3b) para essas células dormentes, o que permitiu rastrear sua migração. O músculo esquelético é a principal fonte dessas células regenerativas: Mesmo quando o periósteo (tecido conjuntivo que recobre os ossos) foi removido cirurgicamente, as células Clec3b-positivas ainda alcançavam a fratura e ajudavam a gerar osso novo.
A consolidação de fraturas é um processo complexo que depende da atividade coordenada de vários tipos celulares. Embora os osteoblastos sejam conhecidos por reconstruir o tecido danificado, pesquisas recentes mostraram que algumas células fora do esqueleto podem adquirir funções formadoras de osso após lesões. Mas a diversidade de populações celulares no sistema musculoesquelético tornava difícil precisar o papel de cada tipo.
Esta nova pesquisa resolveu essa lacuna usando camundongos geneticamente modificados nos quais as células que expressam o Clec3b foram etiquetadas com um marcador fluorescente. Durante o crescimento ósseo normal, essas células permaneceram nos músculos e no periósteo superficial, nunca migrando para o osso ou se diferenciando em osteoblastos. Após uma fratura, porém, elas migraram rapidamente para o local da lesão e se diferenciaram.
Ossificação
A equipe também investigou como essas células de auxílio ósseo interferem na ossificação heterotópica, uma condição em que osso se forma em músculos e outros tecidos moles após lesões. Em modelos de camundongos, as células Clec3b se diferenciaram em células formadoras de cartilagem e osso, tornando-se uma fonte importante desse osso anormal.
"Quando bloqueamos uma via principal necessária para a formação óssea ou esgotamos essas células, tanto a consolidação da fratura quanto o crescimento ósseo anormal foram significativamente reduzidos. Isso destaca o importante papel delas em ambos os processos," afirmou o professor Ugur Ayturk.
Os pesquisadores sugerem que essas células podem se tornar alvos terapêuticos promissores: Ativá-las pode melhorar a consolidação de fraturas, enquanto limitar sua atividade formadora de osso pode ajudar a prevenir crescimentos ósseos indesejados após lesões graves – um equilíbrio que poderá ser explorado em futuras estratégias clínicas.
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