09/06/2020

Neurocientistas descobrem porque é tão difícil acordar no inverno

Redação do Diário da Saúde
Por que é tão difícil acordar no inverno?
Neurônios específicos avisam ao cérebro que o clima está frio e que é melhor retardar o início das atividades.
[Imagem: Michael H. Alpert et al. - 10.1016/j.cub.2020.04.038]

Por que acordar no inverno é mais difícil?

O inverno está chegando, e todos lembramos bem da dificuldade de acordar - e levantar - naqueles dias frios.

E, se isso lhe ajuda a sentir menos peso na consciência por se atrasar, saiba que não se trata de preguiça: parece que temos mesmo um "termômetro" interno que nos aconselha a ficar quentinhos e quietos na cama.

É bem óbvio que a temperatura afeta o comportamento de quase todas as criaturas vivas, mas só agora os cientistas estão dispondo das ferramentas para estudar os vínculos entre os neurônios sensoriais e os neurônios que controlam nosso relógio biológico, estabelecendo o ciclo sono-vigília.

A equipe do professor Marco Gallio, da Universidade Northwestern (EUA), descobriu agora uma pista do que está por trás desse comportamento.

Estudando moscas da fruta, eles identificaram um "termômetro" que transmite informações sobre a temperatura do ambiente para o cérebro do animal. Através desse circuito, as diferentes condições de frio e menor claridade das estações inibem os neurônios no cérebro que as fazem acordar e incentivam a atividade, principalmente pela manhã.

"Isso ajuda a explicar por que - tanto para moscas quanto para humanos - é tão difícil acordar de manhã no inverno," comentou Gallio. "Estudando os comportamentos em uma mosca da fruta, podemos entender melhor como e por que a temperatura é tão crítica para regular o sono".

Neurobiologia do sono

Tendo identificado os neurônios, os pesquisadores os seguiram até seus alvos no cérebro. Eles descobriram que os principais destinatários dessas informações são um pequeno grupo de neurônios cerebrais que fazem parte de uma rede maior que controla os ritmos de atividade e sono.

Quando o "circuito do frio" que eles descobriram está ativo, as células-alvo, que normalmente são ativadas pela luz da manhã, ficam desligadas.

Não se espante pelo estudo ser feito nessas pequenas moscas: A drosófila é o sistema modelo clássico para a biologia circadiana, a área na qual os pesquisadores estudam os mecanismos que controlam nosso ciclo de 24 horas de descanso e atividade, mais conhecido como relógio biológico.

Um dos principais focos dessas pesquisas concentra-se hoje em tentar descobrir como as mudanças nas informações externas, como luz e temperatura, afetam os ritmos de atividade e sono e como as informações atingem os circuitos cerebrais específicos que controlam essas respostas.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A Circuit Encoding Absolute Cold Temperature in Drosophila
Autores: Michael H. Alpert, Dominic D. Frank, Evan Kaspi, Matthieu Flourakis, Emanuela E. Zaharieva, Ravi Allada, Alessia Para, Marco Gallio
Publicação: Current Biology
DOI: 10.1016/j.cub.2020.04.038

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