30/09/2026

Efeitos colaterais de vacinas podem ser culpa do interferon

Redação do Diário da Saúde
Vacinas: Por que nem todos têm efeitos colaterais?
Por que devemos falar abertamente sobre efeitos colaterais das vacinas.
[Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil]

Variações de efeitos colaterais

Vermelhidão e dor no local da injeção, febre, fadiga ou dores de cabeça estão entre os efeitos colaterais mais comuns das vacinas. A larga maioria das pessoas nunca os apresenta, mas mesmo naquelas onde eles aparecem, a frequência e a intensidade dos efeitos variam consideravelmente de uma pessoa para outra.

Natacha Madelon e seus colegas da Universidade de Genebra (Suíça) queriam saber o porquê disso: Por que nem todas as pessoas têm efeitos colaterais das vacinas e por que aquelas que têm apresentam efeitos tão variados?

A equipe descobriu que, mesmo antes da vacinação, o sistema imunológico inato de algumas pessoas é mais reativo do que o de outras, apresentando uma resposta exacerbada aos interferons, moléculas essenciais na defesa antiviral produzidas naturalmente pelo organismo. Quanto mais forte for essa resposta, maior é a probabilidade de os indivíduos apresentarem esses sintomas transitórios pós-vacinação.

"Este estudo nos permitiu identificar um importante papel de um sistema de defesa antiviral relacionado com o interferon na explicação das diferenças nos efeitos secundários entre indivíduos. Este sistema de defesa imunitária inato nos ajuda, em particular, a combater infeções virais. Quanto mais ativa for a resposta natural ao interferon de uma pessoa, mesmo antes da vacinação, mais pronunciadas serão as suas reações à vacinação," explicou Madelon.

Interferon e células T

O interferon é produzido pelas células quando estas são infectadas por um vírus, alertando as células vizinhas e preparando-as para se defenderem. Mas nem todos partem do mesmo ponto de partida.

"Por razões que ainda não compreendemos totalmente - mas que podem estar ligadas a fatores genéticos, a um microbioma específico ou a um episódio inflamatório prévio - alguns indivíduos apresentam uma assinatura imunológica relacionada ao interferon mais forte antes de receberem a vacina, o que parece influenciar a intensidade da sua reação à vacinação," explicou o professor Arnaud Didierlaurent.

A pesquisa indicou ainda um segundo potencial mecanismo, até agora verificado apenas em um modelo animal: Após a primeira vacinação, o corpo desenvolve anticorpos e células T capazes de reconhecer o antígeno da vacina. Quando uma dose subsequente é administrada, essa imunidade adquirida pode amplificar rapidamente a ativação de certas células da imunidade inata, principalmente os monócitos, um tipo de glóbulo branco. Essas células, então, reagem com mais intensidade, atraindo mais células inflamatórias para o local da injeção.

Essas descobertas abrem novos caminhos para a pesquisa das vacinas. Em particular, poderá ser possível distinguir melhor entre os mecanismos necessários para gerar uma resposta imune robusta e mecanismos que contribuem principalmente para os sintomas experimentados após a vacinação. A equipe já está trabalhando para tentar determinar em quais vacinas esses mecanismos operam.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Baseline interferon signaling in monocytes and antibody-mediated innate activation are associated with reactogenicity to mRNA vaccines
Autores: Natacha Madelon, Gustavo A. Ruiz Buendía, Paula Torres Rodriguez, Yves R. Donati, Paola Fontannaz, Matias Ciancaglini, Wafae Adouan, Emma Arsac, Nicolas Fonta, Rachel Goldstein, Nelli Heikkila, Nicolas Page, Jamie Sugrue, Darragh Duffy, Doron Merkler, Daniel D. Pinschewer, Christiane S. Eberhardt, Raphael Gottardo, Cathal Harmon, Anthony DiPiazza, Arnaud M. Didierlaurent
Publicação: Science Translational Medicine
DOI: 10.1126/scitranslmed.aee4776
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