16/02/2021

Duas substâncias promissoras contra tipo agressivo de câncer cerebral

Com informações da Agência Fapesp
Encontradas duas substâncias promissoras contra tipo agressivo de câncer cerebral
Encontradas duas substâncias com potencial para tratar tipo agressivo de câncer cerebral.[Imagem: Roberta Ruela/CQMED-Unicamp]

Glioblastoma

Um grupo de pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos identificou duas substâncias com potencial para tratar o glioblastoma, um dos mais agressivos tipos de câncer do cérebro, com taxa de sobrevivência inferior a 10%.

As substâncias atuam especificamente sobre as células-tronco tumorais, que têm relação importante com a resistência aos tratamentos. Segundo os pesquisadores, poucos compostos são capazes de atuar sobre esse tipo de célula, que existe em pequenas quantidades nos tumores.

"As duas moléculas agem sobre uma mesma proteína, mas possuem diferentes mecanismos de ação sobre o tumor. Uma vez que é uma doença com poucas opções de tratamento, é preciso trabalhar com a possibilidade de uma terapia combinada, que atacaria o tumor em diferentes frentes. Nosso trabalho aumenta a compreensão do mecanismo de ação dessas moléculas," explicou a pesquisa Katlin Massirer, da Unicamp.

Os compostos - chamados GSK591 e LLY-283 - inibem a proteína PRMT5, que atua na replicação das células-tronco tumorais. Desse modo, conseguem impedir a progressão do tumor.

"Em condições normais, essa proteína [PRMT5] é muito importante para um processo de controle celular que chamamos de splicing do RNA [processamento do RNA mensageiro para a produção de proteínas]. No glioblastoma, porém, o excesso dessa molécula desregula esse processo e favorece o crescimento do tumor. O que esses inibidores fazem é a ligação física na proteína PRMT5, impedindo que ela atue de maneira desregulada,", explicou o professor Felipe Ciamponi.

Por meio de ferramentas de bioinformática, os pesquisadores brasileiros analisaram centenas de milhares de dados provenientes de células tumorais tratadas com os compostos. As amostras de glioblastoma usadas nos experimentos foram coletadas de pacientes atendidos em três hospitais do Canadá.

Ambas as moléculas se mostraram potentes contra o tumor e não tóxicas em células saudáveis. Ensaios em camundongos com tumores derivados das células-tronco dos pacientes mostraram que a LLY-283 consegue penetrar na chamada barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro de substâncias potencialmente tóxicas. Esse é um fator essencial para que um futuro medicamento atue no cérebro.

Com os resultados, novos testes serão realizados para aperfeiçoar os compostos, de forma que possam se tornar fármacos de uso clínico no futuro.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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