06/08/2026

Medicamentos anti-amiloides para Alzheimer não têm efeito clinicamente significativo

Redação do Diário da Saúde
Medicamentos anti-amiloides para Alzheimer não têm efeito clinicamente significativo
Evidências se acumulam contra hipótese das placas amiloides como causa do Alzheimer.[Imagem: Ju-Hyun Lee et al. - 10.1038/s41593-022-01084-8]

Medicamentos para Alzheimer que não funcionam

A tradicional hipótese das beta-amiloides como causa da doença de Alzheimer sofreu mais um revés.

Medicamentos que têm como alvo as proteínas beta-amiloides no cérebro (anticorpos monoclonais anti-amiloides) não apresentaram efeitos positivos clinicamente significativos, ao mesmo tempo que aumentaram o risco de sangramento e inchaço cerebral.

Esta é a conclusão de uma revisão que examinou dados de 17 ensaios clínicos, com um total de 20.342 participantes, todos analisando o impacto de medicamentos anti-amiloides em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve devido à doença de Alzheimer. Como alguns medicamentos já não haviam funcionado em pacientes com Alzheimer avançado, seus defensores teorizaram que eles seriam mais eficazes nesses estágios iniciais, antes que a doença progredisse.

Pessoas com doença de Alzheimer apresentam altos níveis de uma proteína conhecida como beta-amiloide no cérebro, detectáveis antes do início dos sintomas, mas seu papel na progressão da doença é incerto. Alguns medicamentos foram desenvolvidos para remover essas proteínas do cérebro, sob a teoria de que isso preveniria ou retardaria a progressão da doença, mas esses medicamentos experimentais para Alzheimer acumulam um fracasso atrás do outro.

Como os fabricantes e cientistas defensores desses medicamentos afirmaram que eles funcionariam melhor no início da doença, uma equipe internacional voltou sua atenção para esses casos. Mas a conclusão foi a mesma.

Efeitos absolutos "bem abaixo do limiar clínico"

A pesquisa constatou que os efeitos absolutos dos medicamentos anti-amiloides no declínio cognitivo e na gravidade da demência foram ausentes ou insignificantes, ficando bem abaixo dos limiares estabelecidos para um ganho mínimo clinicamente importante.

"Infelizmente, as evidências sugerem que esses medicamentos não fazem diferença significativa para os pacientes," afirmou o Dr. Francesco Nonino, do Instituto de Ciências Neurológicas de Bolonha (Itália). "Há agora um conjunto convincente de evidências convergindo para a conclusão de que não há efeito clinicamente significativo. Embora os primeiros ensaios clínicos tenham mostrado resultados estatisticamente significativos, é importante distinguir entre isso e a relevância clínica. É comum que os ensaios clínicos encontrem resultados estatisticamente significativos que não se traduzam em uma diferença clínica significativa para os pacientes."

Além da ausência de efeitos clinicamente significativos, a revisão constatou que os medicamentos anti-amiloides provavelmente aumentam o risco de inchaço e sangramento no cérebro. Isso foi observado em exames de imagem cerebral sem quaisquer sintomas aparentes para a maioria dos pacientes, embora quaisquer efeitos a longo prazo permaneçam incertos, uma vez que o relato de sintomas foi inconsistente entre os ensaios clínicos.

Medicamentos anti-amiloides para Alzheimer não têm efeito clinicamente significativo
Fenômeno quântico no cérebro contesta teoria da amiloide no Alzheimer.
[Imagem: Hamza Patwa et al. - 10.3389/fphy.2024.1387271]

Pesquisas devem se concentrar em outras vias

Os especialistas descobriram que os medicamentos testados removem com sucesso as proteínas amiloides do cérebro, mas isso não se traduz em um benefício clínico significativo para o paciente, o que questiona frontalmente a chamada hipótese amiloide.

Assim, com base nas evidências, a conclusão é que não vale a pena investir em novos ensaios clínicos direcionados à remoção da proteína beta-amiloide, já que eles provavelmente repetirão os resultados, não proporcionando benefícios claros aos pacientes.

A recomendação final é que as pesquisas sobre o tratamento do Alzheimer agora sejam direcionadas para outros mecanismos, uma vez que já existem inúmeros estudos em andamento em outras direções.

"Atendo pacientes com Alzheimer em minha clínica todas as semanas e gostaria de ter um tratamento eficaz para oferecer a eles," ponderou o Dr. Edo Richard, da Universidade Radboud (Países Baixos). "Os medicamentos aprovados atualmente oferecem algum benefício para alguns pacientes, mas ainda existe uma grande necessidade não atendida de tratamentos mais eficazes. Infelizmente, os medicamentos anti-amiloides não oferecem isso e trazem riscos adicionais. Dada a ausência de correlação entre a remoção da amiloide e o benefício clínico, precisamos explorar outras vias para ajudar a combater essa doença devastadora."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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