01/04/2020

Para proteger seu cérebro, não tente agradar demais

Redação do Diário da Saúde
Para proteger seu cérebro contra Alzheimer, não concorde com tudo
Personalidades inconformistas, que não têm medo de desafiar a opinião dos outros - ou da maioria - têm cérebros mais resistentes contra o envelhecimento e o Alzheimer.[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Personalidade à prova de Alzheimer?

Exames de imagens cerebrais e avaliações psicocognitivas, realizadas ao longo de vários anos em um grupo comunitário de idosos, mostraram que certos traços de personalidade estão associados com estruturas cerebrais mais resistentes contra a neurodegeneração e a doença de Alzheimer.

Entre esses traços, pessoas que não são particularmente conformistas, pouca necessidade de agradar os outros (agradabilidade), mas que têm uma curiosidade natural, apresentaram melhor preservação das regiões do cérebro que tendem a perder volume, tanto no envelhecimento normal quanto na doença de Alzheimer.

"Um alto nível de agradabilidade [concordância, gentileza, ser compreensivo, cooperativo e cordial] caracteriza personalidades altamente adaptáveis, que desejam acima de tudo estar alinhadas com os desejos dos outros, evitar conflitos e buscar cooperação.

"Isso difere da extroversão. Você pode ser muito extrovertido e não muito agradável, como são as personalidades narcisísticas, por exemplo. O determinante importante é o relacionamento com o outro: nos adaptamos aos outros às nossas próprias custas?" observa o professor Panteleimon Giannakopoulos, da Universidade de Genebra (Suíça).

Conformista, mas curioso

Especialistas em doença de Alzheimer tentam há décadas, sem sucesso, desenvolver vacinas terapêuticas que possam reparar os danos cerebrais causados pelo acúmulo das proteínas amiloide e tau e evitar a destruição dos neurônios.

O que este estudo está mostrando aponta em outra direção: Seria possível se antecipar e mesmo limitar os danos agindo sobre fatores não biológicos, ou não fisiológicos, como a personalidade e o estilo de vida das pessoas.

O resultado, é claro, dizem os pesquisadores, não serve como recomendação para que se você torne uma pessoa desagradável e saia discordando de tudo - a personalidade é multifacetada e não adianta alterar só um aspecto.

Mas destaca a importância de se levar em conta a personalidade da pessoa no diagnóstico e tratamento dos distúrbios neuropsiquiátrico, abrindo caminho para estratégias de prevenção mais precisas contra a neurodegeneração, disse o professor Giannakopoulos.

Vale destacar que o efeito protetor revelado pelas imagens cerebrais ocorre precisamente nos circuitos de memória danificados pela doença de Alzheimer.

Abertura a novas experiências

Outro traço de personalidade parece ter um efeito protetor, mas de uma maneira menos clara: a abertura a novas experiências.

"Isso é menos surpreendente, uma vez que já sabíamos que o desejo de aprender e se interessar pelo mundo ao nosso redor protege contra o envelhecimento cerebral," disse o pesquisador.

Mas por que? Quais são os mecanismos biológicos entram em ação? No momento, isso permanece um mistério, que a equipe afirma querer decifrar em pesquisas futuras, assim como confirmar a intensidade dos efeitos.

"Se parece difícil mudar profundamente a personalidade de alguém, especialmente em uma idade avançada, levar isso em consideração em uma perspectiva personalizada da medicina é essencial para pesar todos os fatores de proteção e risco da doença de Alzheimer. É uma parte importante de um quebra-cabeça complexo," escreveu a equipe.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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