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19/08/2026 Por que algumas pessoas têm câncer e outras não?Redação do Diário da Saúde![]()
A complexidade das interações impressiona: A suscetibilidade ao câncer e a mutagênese são moldadas pela variação genética.[Imagem: Sarah J. Aitken et al. - 10.1038/s41586-026-10821-z]
O porquê do câncer Há muito tempo se sabe que a descrição tradicional de que mutações genéticas herdadas tornam uma pessoa mais suscetível a ter câncer é um resumo muito pobre da realidade. Em mais uma prova de como a herança genética pode ser alterada, cientistas descobriram uma evidência direta de como o risco de câncer é alterado por mutações genéticas adquiridas ao longo da vida interagindo com a composição genética herdada dos pais. Esta descoberta pode explicar por que algumas pessoas são mais suscetíveis ao câncer do que outras no mesmo ambiente, ou porque alguns fumantes não têm câncer de pulmão, entre muitos outros exemplos, indicando que as estratégias de prevenção e rastreamento do câncer precisam passar a levar em conta, simultaneamente, a diversidade populacional e os estilos de vida. Segundo Sarah Aitken e uma grande equipe da Universidade de Cambridge (Reino Unido), a descoberta também explica porque as respostas aos tratamentos contra o câncer podem variar dependendo da genética do paciente, reforçando a necessidade de uma abordagem de tratamento mais personalizada. "Se a predisposição genética influencia tanto o risco de câncer quanto a trajetória evolutiva dos tumores, as futuras estratégias de prevenção e rastreamento do câncer precisarão levar em consideração a genética herdada e a diversidade populacional. Da mesma forma, a resposta das pessoas aos medicamentos contra o câncer provavelmente varia de acordo com sua genética herdada, e, portanto, talvez precisemos adaptar nossos diagnósticos e tratamentos de acordo com isso," reforçou Sarah. ![]() Conheça 5 maneiras inovadoras que os cientistas estão adotando para lidar com o câncer. [Imagem: Cecil Fox/National Cancer Institute] Entendendo o mecanismo do câncer A visão majoritária hoje na ciência é que os tumores surgem quando nosso DNA acumula erros, ou mutações, fazendo com que as células cresçam mais rápido e ignorem os sinais naturais que, em situação normal, instruem as células danificadas a morrer antes que possam causar danos. A exposição a fatores ambientais - como fumaça de cigarro, poluentes, exposição aos raios ultravioleta, etc - influencia a quantidade de danos ao DNA que ocorrem, e alterações genéticas hereditárias podem alterar a quantidade de mutações que se acumulam. Acontece que nem todas as pessoas expostas aos mesmos fatores de risco ambiental desenvolvem câncer. A maioria dos fumantes não desenvolve câncer de pulmão, por exemplo. A principal hipótese para explicar isso está relacionada à constituição genética herdada, mas ninguém conseguiu ainda encontrar evidências diretas para comprovar isto. Embora muitos estudos tenham sugerido que diferenças genéticas herdadas afetam o risco de câncer, comprovar essa ligação tem sido difícil porque os indivíduos dentro de uma mesma população humana - e entre populações diferentes - variam em estilo de vida, ambiente e histórico de exposição. O que a equipe fez agora foi desenvolver uma abordagem experimental, usando animais de laboratório, que permitiu controlar criteriosamente os fatores ambientais, de modo a demonstrar que a própria predisposição genética pode alterar a forma como os tumores surgem e evoluem. Em todas as linhagens de camundongos, os cânceres quase sempre adquiriram uma mutação condutora que ativava o mesmo sistema de sinalização promotor do câncer, chamado via MAPK, uma cascata de sinais moleculares em múltiplas etapas que controla processos vitais importantes, incluindo o crescimento e a diferenciação celular. Contudo, dependendo da genética herdada do camundongo, a mutação condutora específica adquirida alterava a atividade de outras vias de sinalização associadas ao câncer, além de causar uma tendência marcante à duplicação de todo o genoma, um evento no qual todo o conjunto de cromossomos é duplicado. "O câncer não surge inteiramente por acaso. Embora os tumores frequentemente atinjam o mesmo ponto final biológico, o caminho até esse ponto final é determinado pela predisposição genética do indivíduo. Conseguimos demonstrar, pela primeira vez, a extensão em que a predisposição genética influencia tanto os processos de mutação quanto as vias que levam ao desenvolvimento do tumor," concluiu o professor Duncan Odom, coordenador da equipe. O próximo passo será verificar se as vias envolvidas também se comportam do mesmo modo nos seres humanos. Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br URL: A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos. |
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