16/03/2026

Adesivo inspirado nos mexilhões traz esperança contra câncer fatal

Redação do Diário da Saúde
Adesivo inspirado nos mexilhões traz esperança contra câncer cerebral
Processo de aplicação do bioadesivo, que leva o princípio ativo que destrói as células do glioblastoma. [Imagem: Jose Bolaños-Cardet et al. - 10.1002/advs.202510658]

Curativo contra o câncer no cérebro

Adesivos inovadores de base biológica, inspirados na capacidade de fixação dos mexilhões, mostraram-se capazes de eliminar cerca de 90% das células remanescentes de glioblastoma após a cirurgia.

O glioblastoma é o tumor cerebral mais prevalente e agressivo, caracterizado por um crescimento extremamente rápido e alta capacidade invasiva. Atualmente, não existe cura ou tratamento que interrompa sua progressão; o procedimento padrão envolve a retirada cirúrgica seguida de rádio e quimioterapia.

No entanto, a reincidência é quase certa, ocorrendo frequentemente em menos de um ano, devido à permanência de células malignas que sobrevivem à cirurgia e resistem aos tratamentos convencionais. A sobrevida do paciente diagnosticado é muito curta.

O novo bioadesivo foi projetado para ser aplicado diretamente no local da remoção do tumor. Seu princípio ativo, a catequina, um polifenol natural encontrado no chá verde e no cacau, consegue induzir a morte das células cancerosas restantes através de um forte estresse oxidativo.

Adesivo inspirado nos mexilhões traz esperança contra câncer cerebral
É recente a descoberta de que o chá verde faz bem por causa do efeito oxidante, e não antioxidante.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Catequina

O adesivo fixa-se firmemente ao tecido cerebral úmido, permitindo uma liberação sustentada e localizada da substância terapêutica.

A catequina como agente principal mostrou-se a mais eficaz entre as opções testadas, já que essa substância aumenta drasticamente a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) nas células tumorais, levando-as à autodestruição.

Em comparação com a administração oral da catequina, que poderia causar efeitos colaterais sistêmicos indesejados, a aplicação local do adesivo concentra a ação do composto apenas na área necessária. Além da eficácia antitumoral, o material apresentou alta atividade antimicrobiana e excelente biocompatibilidade, o que auxilia na prevenção de infecções pós-operatórias e favorece a cicatrização.

Devido ao baixo custo de produção e à simplicidade de fabricação, os bioadesivos surgem como uma alternativa viável e escalável para reduzir as taxas de reincidência e melhorar o prognóstico de pacientes com diagnósticos cerebrais graves. Antes disso, porém, será necessário testá-los em pacientes.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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