15/04/2026

Alzheimer: Não é aglomeração de amiloides ou tau, é a competição entre elas

Redação do Diário da Saúde
Alzheimer: Não é aglomeração de amiloides ou tau, é a competição entre elas
Os melhores estudos sobre Alzheimer já vêm indicando há algum tempo que a ciência deve mudar seus alvos, adotando estratégias integradas.[Imagem: Ju-Hyun Lee et al. - 10.1038/s41593-022-01084-8]

Amiloides e tau

Ainda longe de encontrarem tratamentos para a doença de Alzheimer, os cientistas têm-se desgastado em discussões sobre suas causas e fontes dos principais sintomas, sem muitos progressos. Atualmente, a maioria dos dedos dos especialistas apontam para dois suspeitos: As proteínas beta-amiloide e tau, que formam placas ou aglomerados no cérebro.

Mas talvez os grupos que apoiam cada uma dessas duas vertentes devam se unir.

Thomas Shoff e colegas da Universidade da Califórnia de Riverside (EUA) demonstraram que as proteínas beta-amiloide e tau competem pelos mesmos sítios de ligação nos microtúbulos dos neurônios.

Isto muda tudo, porque indica que pode ser o deslocamento da tau pela beta-amiloide, e não a agregação de qualquer uma das proteínas, o principal fator determinante da patologia da doença de Alzheimer.

Os pesquisadores utilizaram polarização de fluorescência para medir as afinidades de ligação das beta-amiloides tanto às proteínas tubulinas individuais quanto aos microtúbulos. Os resultados mostraram afinidades de ligação comparáveis às relatadas para a tau, comprovando uma similaridade estrutural entre a beta-amiloide e os domínios de ligação aos microtúbulos da tau.

Alzheimer: Não é aglomeração de amiloides ou tau, é a competição entre elas
Alzheimer: Cientistas propõem uma nova perspectiva sobre a doença.
[Imagem: Sara Garcia Ratés et al. - 10.1002/alz.13869]

Mudança de opinião

Experimentos de laboratório permitiram então demonstrar que a introdução da tau humana recombinante reduz - mas não elimina - a ligação da beta-amiloide aos microtúbulos, o que é consistente com sítios de ligação compartilhados ou sobrepostos.

Segundo a equipe, essa hipótese do nexo dos microtúbulos reconcilia contradições antigas entre os modelos da doença de Alzheimer centrados na proteína amiloide e na proteína tau, abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas visando o deslocamento competitivo da proteína tau dos microtúbulos.

Antes, porém, os cientistas terão que concordar em abandonar suas hipóteses anteriores, e a realidade mostra que este não é um caminho muito trilhado.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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