29/04/2022

Alzheimer é associado a campos eletromagnéticos e acúmulo de cálcio no cérebro

Redação do Diário da Saúde

Hipótese do cálcio da doença de Alzheimer

Por quase um quarto de século, pesquisadores vêm estudando o efeito do cálcio na doença de Alzheimer. Ao mesmo tempo, têm crescido os estudos sobre os efeitos da radiação eletromagnética dos aparelhos eletroeletrônicos sobre a fisiologia humana.

Agora, esses dois campos aparentemente tão desconexos encontraram um ponto de convergência impressionante: Os campos eletromagnéticos gerados pelos nossos aparelhos eletroeletrônicos podem estar induzindo a produção no cérebro daquele cálcio que pode causar Alzheimer.

Inicialmente, as pesquisas levaram ao desenvolvimento da chamada "hipótese do cálcio" da doença de Alzheimer, que argumenta que a doença de Alzheimer é causada pelo excesso de cálcio intracelular no cérebro.

O acúmulo de cálcio nas células resulta em uma gama diversificada de mudanças no cérebro, mas existem duas mudanças significativas que desenvolvem condições para a doença de Alzheimer, especificamente aumentos na proteína precursora amiloide, BACE1 e agregados de proteína beta amiloide.

Alterações neurodegenerativas menos específicas registradas também incluem proteína tau hiperfosforilada e emaranhados neurofibrilares, morte celular produzida por apoptose ou por autofagia destrutiva, disfunção sináptica produzida por alterações nas estruturas neuronais necessárias para a sinapse entre os neurônios cerebrais, estresse oxidativo e inflamação.

Campos eletromagnéticos e cálcio se acumulam

Por outro lado, os campos eletromagnéticos gerados eletronicamente, usados para comunicações sem fio, como celulares e Wi-Fi, produzem forças elétricas e magnéticas que atuam nas células de nossos corpos, principalmente por meio da ativação de canais de cálcio dependentes de voltagem, conhecidos pela sigla em inglês VGCCs (Voltage-Gated Calcium Channels). A ativação dos VGCCs produz rápidos aumentos nos níveis de cálcio intracelular.

Portanto, a exposição a campos eletromagnéticos produz alterações que levam ao excesso de cálcio intracelular. E esse acúmulo pode explicar os efeitos no cérebro na doença de Alzheimer.

Estas alterações induzidas por radiofrequência nos níveis de cálcio intracelular foram demonstradas em modelos animais da doença de Alzheimer. A pesquisa mostrou o envolvimento de duas vias que levam à doença neurodegenerativa, cada uma produzindo efeitos fisiopatológicos após a exposição a campos eletromagnéticos que são importantes na doença de Alzheimer: A via de sinalização excessiva de cálcio e a via peroxinitrito/oxidativo estresse/inflamação.

O professor Martin Pall, da Universidade Estadual de Washington (EUA), estuda esse fenômeno há uma década.

"Os campos eletromagnéticos agem por meio de picos elétricos e forças magnéticas variáveis no tempo em uma escala de tempo de nanossegundos," disse o professor Pall.

Esses picos aumentam consideravelmente a cada aumento na modulação de pulso produzida por telefones celulares inteligentes, medidores inteligentes, sensores usados em cidades inteligentes e radares em veículos autônomos. "Qualquer um destes pode produzir o pesadelo final - doença de Alzheimer de início extremamente precoce," disse o especialista.

18 tipos de evidências

Em seu artigo, que resume o saber científico até o momento (artigos científicos publicados revisados por pares), o professor Pall afirma haver uma enormidade de evidências sobre a conexão entre os campos eletromagnéticos e a doença de Alzheimer, e agrega essas conclusões em 18 tipos distintos de evidências.

Mas, segundo ele, três tipos de estudos são urgentemente necessários, de preferência sendo realizados por cientistas independentes.

  1. Pesquisas de marcadores cerebrais da doença de Alzheimer e exames de ressonância magnética do cérebro para anormalidades entre os jovens que apresentam sinais de demência digital.
  2. Avaliações de exposições a campos eletromagnéticos para ambientes de pré-diagnóstico para pessoas de 30 a 40 anos que foram diagnosticadas com doença de Alzheimer de início precoce. Essas avaliações devem comparar os níveis de radiação de telefones e torres de telefonia celular, radiação Wi-Fi, medidores inteligentes e níveis de radiação de eletricidade suja, todos comparados a controles normais.
  3. Exames para detectar sinais precoces da doença de Alzheimer em pessoas que vivem perto de antenas de pequeno porte por um ano ou mais.

"Os resultados de cada um desses estudos devem ser compartilhados com o público em geral," diz o professor Pall, "para que todos possam tomar as medidas necessárias para reduzir a incidência da doença de Alzheimer de início precoce".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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