18/12/2020

Anti-antibiótico evita que bactérias criem resistência a medicamentos

Redação do Diário da Saúde
Anti-antibiótico evita que bactérias criem resistência a medicamentos
O tratamento conjunto impede que as bactérias adquiram resistência contra o antibiótico. [Imagem: Andrew Cheshire/Penn State]

Anti-antibiótico

Um medicamento barato e já aprovado pelas autoridades de saúde - a colestiramina -, quando tomado em conjunto com um antibiótico, impede que o antibiótico induza a resistência microbiana, que é a capacidade dos patógenos de se tornarem resistentes aos medicamentos.

"A resistência antimicrobiana é um problema sério que tem levado pessoas a morrer de infecções bacterianas comuns. Muitos dos nossos antibióticos mais importantes estão falhando e estamos começando a ficar sem opções.

"Nós criamos uma terapia que pode ajudar na luta contra a resistência antimicrobiana, um 'anti-antibiótico' que permite o tratamento com antibióticos sem impulsionar a evolução e a transmissão da resistência," disse o professor Andrew Read, da Universidade do Estado da Pensilvânia (EUA).

Foi a pesquisadora Valerie Morley quem iniciou a pesquisa, trabalhando com o Enterococcus faecium resistente, uma importante causa de infecções resistentes a antibióticos em ambientes hospitalares.

"O E. faecium é um patógeno oportunista que coloniza o trato gastrointestinal humano e se espalha por transmissão fecal-oral," contou ela. "A bactéria é assintomática no intestino, mas pode causar infecções graves, como sepse e endocardite, quando introduzida em locais como a corrente sanguínea ou a medula espinhal."

Daptomicina mais colestiramina

Os pesquisadores observaram que a daptomicina é um dos poucos antibióticos restantes para tratar a infecção pelo E. faecium resistente, mas ele também está-se tornando rapidamente resistente também a esse antibiótico. "Nossos experimentos mostram que a resistência à daptomicina pode surgir no E. faecium que colonizou o trato gastrointestinal, e que essa resistência pode surgir por meio de uma variedade de mutações genéticas," contou Morley.

Assim, a equipe investigou se o adjuvante colestiramina administrado por via oral - um sequestrante de ácido biliar aprovado - poderia reduzir a atividade da daptomicina no trato gastrointestinal e prevenir o desenvolvimento da resistência no patógeno.

E deu certo: A colestiramina reduziu em até 80 vezes a eliminação fecal de E. faecium resistente à daptomicina em camundongos tratados com esse antibiótico.

"Nós demonstramos que a colestiramina se liga ao antibiótico daptomicina e pode funcionar como um 'anti-antibiótico' para evitar que a daptomicina administrada sistemicamente atinja o intestino," concluiu a equipe.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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