27/07/2020

Brasileiros desenvolvem exercícios para sintomas motores da doença de Parkinson

Com informações da Agência Fapesp
Brasileiros desenvolvem exercícios para congelamento da marcha no mal de Parkinson
Outras equipes estão trabalhando em sapatos que evitam as "travadas" dos pacientes de Parkinson.[Imagem: Universidade Radboud]

Exercícios para Parkinson

Um dos sintomas mais incapacitantes da doença de Parkinson é o chamado congelamento da marcha, que consiste na interrupção súbita ou intermitente da caminhada, além da impossibilidade de retomada dos movimentos de locomoção.

Em um feito com repercussão internacional, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) demonstraram ser possível reduzir este problema por meio de um protocolo de exercícios físicos que estimula simultaneamente diferentes habilidades motoras e cognitivas.

A pesquisa mostrou ainda que o treinamento modifica áreas cerebrais relacionadas às alterações fisiológicas do congelamento da marcha.

A descoberta está associada sobretudo ao efeito da plasticidade cerebral, por meio da qual o treinamento leva a um aumento da ativação dos neurônios, neste caso nas áreas relacionadas aos mecanismos neurais e motores que acarretam o congelamento da marcha.

"Além do relato positivo dos pacientes que realizaram o treinamento, os testes clínicos também apontaram uma melhora significativa e clinicamente relevante de 60% de diminuição do congelamento da marcha e 70% dos sintomas motores da doença. Outro resultado importante do trabalho foi a restauração das áreas do cérebro diretamente relacionadas ao problema. A plasticidade cerebral nessas áreas é um preditor na melhora do congelamento da marcha," explicou a pesquisadora Carla da Silva Batista.

A reativação das áreas do cérebro foi comprovada por meio de imagens de ressonância magnética funcional. O protocolo é o primeiro a reduzir os sintomas de congelamento da marcha - avaliado clinicamente de maneira objetiva - e a registrar alterações nas áreas cerebrais relacionadas com a patofisiologia desse sintoma.

De acordo com a pesquisadora, a ativação da região cerebelar (relacionada com a automaticidade da marcha) e da região mesencefálica (associada aos ajustes posturais e à cognição) explica a reversão do congelamento da marcha após o treinamento adaptado.

Congelamento da marcha

Embora não tenha tratamento específico, o congelamento da marcha é um dos principais motivos de queda entre portadores da doença de Parkinson. Junto com tremores e dano cognitivo, o problema é um dos responsáveis pela perda de qualidade de vida entre os indivíduos com a doença.

Estimativas apontam que o congelamento da marcha afeta aproximadamente 26% dos pacientes em estágio moderado da doença de Parkinson e 80% dos casos mais graves.

Geralmente, o problema acontece quando a pessoa está caminhando: o pé paralisa, levando o indivíduo a quedas, fraturas e internações precoces. Outra forma comum de congelamento de marcha ocorre quando a pessoa se levanta ou inicia uma caminhada e ocorre a paralisia do pé, fazendo com que o indivíduo tropece, - ou caminhe aos trancos - até que caia ou entre, repentinamente, em movimento regular.

"Não se sabe exatamente o que ocasiona o congelamento da marcha, apenas que existem alguns fatores que podem ser preditores importantes, como o maior uso de medicamentos para o Parkinson, o avanço da doença, declínio cognitivo severo, além de fatores estressantes e a ansiedade", diz.

Batista afirma, no entanto, que existem casos de pacientes que, apesar de terem todas as características preditoras descritas, não desenvolvem o problema.

A despeito de a causa do congelamento da marcha ser ainda desconhecida, os pesquisadores montaram o treinamento a partir da seleção de exercícios relacionados a domínios e características preditoras ou comuns em indivíduos com o problema. Dessa forma, o treinamento combinou quatro tipos de exercício que deveriam ser realizados simultaneamente: sensório-motor, sobrecarga, coordenação motora e demanda cognitiva.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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