06/05/2021

Como os radicais livres nos protegem contra o câncer

Redação do Diário da Saúde
Como os radicais livres nos protegem contra o câncer
Os defensores de uma alimentação saudável escolheram os radicais livres como inimigos a serem destruídos, mas a ciência diz o contrário há algum tempo.[Imagem: Devon Breen/Pixabay]

De vilão a protetor

Você ainda deve ouvir o tempo todo que radicais livres fazem mal e que antioxidantes fazem bem para você... na verdade, a ciência dos radicais livres e dos antioxidantes é muito mais complexa do que isso.

Originalmente, os radicais de oxigênio - espécies reativas de oxigênio, ou ROS, na sigla em inglês - foram de fato considerados pelos cientistas como exclusivamente prejudiciais ao corpo.

Eles são produzidos, por exemplo, pelo fumo ou pela radiação ultravioleta. Devido à sua alta reatividade, eles podem danificar muitas moléculas importantes nas células, incluindo a molécula hereditária de DNA. Como resultado, existe o risco de reações inflamatórias ou que as células afetadas se degenerem em células cancerosas.

Papel essencial dos radicais livres

No entanto, exatamente por causa desse seu efeito "exterminador", as espécies reativas de oxigênio também são deliberadamente produzidas pelo próprio corpo, por exemplo, por células epiteliais imunológicas ou pulmonares, que os usam para destruir vírus e bactérias invasoras.

E esse trabalho de defesa requer concentrações de radicais livres relativamente altas. Em baixas concentrações, por outro lado, as espécies reativas de oxigênio desempenham um papel importante como moléculas sinalizadoras.

Para essas tarefas, os radicais livres são produzidos por todo um grupo de enzimas. Um representante desse grupo de enzimas é a Nox4, que produz continuamente pequenas quantidades de H2O2, o radical livre típico. A Nox4 é encontrada em quase todas as células do corpo, onde seu produto H2O2 mantém um grande número de funções de sinalização especializadas, contribuindo, por exemplo, para a inibição de reações inflamatórias.

Pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt (Alemanha) descobriram agora que, ao produzir H2O2, a Nox4 pode até mesmo prevenir o desenvolvimento de câncer.

Falta de radicais livres causa câncer

Valeska Helfinger e seus colegas examinaram camundongos modificados geneticamente para não produzir Nox4. Quando esses animais foram expostos a uma toxina ambiental carcinogênica (causadora de câncer), a probabilidade de desenvolverem um tumor dobrou. Como os camundongos sofriam de tipos muito diferentes de tumores, de sarcomas de pele a carcinomas de cólon, os pesquisadores suspeitaram que a Nox4 teria uma influência fundamental na saúde celular.

Investigações moleculares de fato mostraram que o H2O2 formado pela Nox4 mantém uma cascata de reações que impede que certas proteínas importantes de sinalização (fosfatases) entrem no núcleo das células. Se a Nox4 - e, consequentemente, o H2O2 - estiverem ausentes, essas proteínas sinalizadoras migram para o núcleo da célula e, como consequência, danos graves ao DNA dificilmente são reconhecidos.

Graves dano ao DNA - por exemplo, quebra da fita dupla - ocorrem em algum lugar do corpo todos os dias. As células reagem com muita sensibilidade a tais danos ao DNA, colocando em movimento todo um repertório de enzimas de reparo. Se isso não ajudar, a célula ativa seu programa de morte celular. Em todos os casos, são medidas de precaução do corpo contra o câncer.

Quando esse dano não é reconhecido, como ocorre na ausência de Nox4, ele pode resultar na formação de um câncer.

"Se não houver Nox4 e, portanto, não houver H2O2, as células não reconhecem mais o dano ao DNA. As mutações se acumulam e as células danificadas continuam a se multiplicar. Se for adicionada uma toxina ambiental, que danifica enormemente o DNA, o dano não é mais reconhecido e reparado. As células afetadas sequer são eliminadas, mas se multiplicam, às vezes de forma muito rápida e incontrolável, o que acaba levando ao desenvolvimento de tumores. Uma pequena quantidade de H2O2 mantém um equilíbrio interno na célula que protege as células da degeneração," detalhou a professora Katrin Schröder, coordenadora da pesquisa.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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