25/03/2021

Consciência durante anestesia geral está sendo medida no lugar errado

Redação do Diário da Saúde
Consciência durante anestesia geral está sendo medida no lugar errado
A descoberta muda tudo o que os médicos acreditavam saber sobre como monitorar a consciência durante a anestesia geral.[Imagem: Mohsen Afrasiabi et al. - 10.1016/j.cels.2021.02.003]

Cérebro e consciência

Milhões de pessoas recebem anestesia geral a cada ano, mas nem sempre é fácil dizer se elas estão realmente inconscientes.

Além de não sabermos por que a anestesia nos faz perder a consciência, uma pequena proporção dos pacientes recupera alguma consciência durante procedimentos médicos, o que é uma grande fonte de trauma.

Com isto, os pesquisadores estão em busca de uma maneira melhor de medir a consciência e verificar se a anestesia está mesmo funcionando.

"O que foi mostrado por 100 anos em um estado inconsciente, como o sono, são essas ondas lentas de atividade elétrica no cérebro," explica o professor Yuri Saalmann, da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). "Mas esses podem não ser os sinais certos a se olhar. Sob várias condições - com diferentes drogas anestésicas, em pessoas que estão sofrendo de coma ou com danos cerebrais ou outras situações clínicas - pode haver atividade de alta frequência também."

Onde medir a consciência no cérebro

Para tentar desvendar o mistério, os pesquisadores registraram a atividade elétrica em cerca de 1.000 neurônios ao redor de cada um dos 100 locais no cérebro de um par de macacos durante vários estados de consciência: Sob anestesia induzida por anestésicos comuns, sob sono leve, na vigília em repouso e em um caso muito especial, com os animais despertos da anestesia para o estado de vigília por meio de estimulação elétrica de um ponto profundo no cérebro - essa possibilidade de cancelar a anestesia geral aplicando eletricidade no cérebro foi descoberta pela mesma equipe no ano passado.

"Com dados de várias regiões do cérebro e diferentes estados de consciência, pudemos juntar todos esses sinais tradicionalmente associados à consciência - incluindo a velocidade ou lentidão dos ritmos do cérebro em diferentes áreas do cérebro - com mais métricas computacionais que descrevem o nível de complexidade dos sinais e como os sinais em diferentes áreas interagem," explicou a professora Michelle Redinbaugh.

Consciência e inconsciência no cérebro

Para filtrar as características que melhor indicam se os macacos estavam conscientes ou inconscientes, os pesquisadores usaram uma técnica de inteligência artificial conhecida como aprendizado de máquina.

A partir dos dados brutos, o programa aprendeu a apontar qual estado de consciência havia produzido cada padrão de atividade cerebral. Isso permitiu que ele mostrasse quais áreas do cérebro e quais padrões de atividade elétrica correspondiam mais fortemente à consciência.

Os resultados apontaram para longe do córtex frontal, a parte do cérebro normalmente monitorada para manter a anestesia geral com segurança em pacientes humanos e a parte com maior probabilidade de exibir as ondas lentas de atividade há muito consideradas típicas da inconsciência.

"Na clínica agora, eles costumam colocar eletrodos na testa do paciente," disse o pesquisador Mohsen Afrasiabi. "Propomos que a parte de trás da cabeça é um lugar mais importante para esses eletrodos, porque aprendemos que a parte de trás do cérebro e as áreas profundas do cérebro são mais preditivas do estado de consciência do que a parte frontal."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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