24/06/2026

Planta medicinal brasileira tem múltipla ação contra vírus da covid-19

Com informações da USP
Planta medicinal brasileira tem múltipla ação contra vírus da covid-19
A copaíba-vermelha, também conhecida como pau-óleo, é encontrada por todo o Brasil, mas especialmente em áreas da Mata Atlântica.[Imagem: Geovane Siqueira/iNaturalist]

Copaíba contra covid

Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil, encontrada especialmente em áreas de Mata Atlântica, têm ampla ação contra o vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19.

Pesquisas já tinham indicado diversos benefícios biológicos e farmacológicos dos chamados "ácidos galoilquínicos", retirados das folhas da copaíba-vermelha, entre eles atividades antifúngicas e anticancerígenas, além de propriedades antivirais de amplo espectro.

Derivados da substância já haviam apresentado até mesmo inibição significativa do HIV-1 em ensaios bioquímicos e cultura de células, com menor toxicidade do que outras moléculas testadas para esse fim.

O professor Jairo Bastos, da USP de Ribeirão Preto, decidiu então testar os compostos da copaíba-vermelha contra a covid-19. Para isso, folhas da árvore foram preparadas para a extração dos ácidos galoilquínicos. Em seguida, foram realizados ensaios de citotoxicidade para determinar a segurança da sua introdução nas células e, finalmente, realizada a avaliação da atividade antiviral.

Planta medicinal brasileira tem múltipla ação contra vírus da covid-19
A ação do composto natural é multialvo, o que aumenta sua eficácia.
[Imagem: Rasha M. El-Morsi et al. - 10.1038/s41598-025-25217-8]

Importância dos fármacos naturais

Os resultados indicam uma forte ação contra o SARS-CoV-2. Os ácidos galoilquínicos apresentaram forte ação contra o coronavírus, inibindo a entrada viral nas células, a replicação do patógeno e a expressão das proteínas virais. Além disso, as atividades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da substância podem contribuir para a regulação da resposta imune do indivíduo infectado, o que é particularmente relevante em casos mais graves da doença.

"Um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito," contou Jairo.

Para que a substância seja transformada em medicamento contra a COVID-19, serão necessários ensaios em animais de laboratório e, a seguir, ensaios clínicos em humanos. Mas a pesquisa já reforça a importância da biodiversidade e da pesquisa com produtos naturais como fontes de candidatos terapêuticos inovadores, além de reforçar que a flora brasileira continua sendo um reservatório rico e estratégico para a descoberta de novos fármacos.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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