13/11/2020

Covid-19 leve apresenta sete diferentes formas de doença

Redação do Diário da Saúde
Covid-19 leve apresenta sete diferentes
Uma das maiores preocupações agora é garantir vacinas contra a covid-19 que sejam eficazes e seguras.[Imagem: Kurt Stepnitz/MSU]

Formas de covid-19

Há sete "formas de doença" diferentes na covid-19 com curso leve - que não exigem internação em UTI -, sendo que a doença deixa para trás mudanças significativas no sistema imunológico, mesmo após 10 semanas após o fim dos sintomas.

Estas descobertas podem desempenhar um papel significativo no tratamento dos pacientes e no desenvolvimento de uma vacina que seja potente o suficiente.

A conclusão é de uma equipe de cientistas e médicos da Universidade Médica de Viena (Áustria).

Analisando 109 convalescentes de covid-19 e 98 indivíduos saudáveis no grupo controle, os pesquisadores conseguiram mostrar que vários sintomas relacionados à covid-19 ocorrem em grupos. Eles identificaram sete grupos de sintomas:

  1. Sintomas semelhantes aos da gripe (com febre, calafrios, fadiga e tosse).
  2. Sintomas semelhantes ao resfriado comum (com rinite, espirros, garganta seca e congestão nasal).
  3. Dores articulares e musculares.
  4. Inflamação dos olhos e mucosas.
  5. Problemas pulmonares (com pneumonia e falta de ar).
  6. Problemas gastrointestinais (incluindo diarreia, náusea e dor de cabeça).
  7. Perda do olfato e paladar e outros sintomas.

"Neste último grupo, descobrimos que a perda do olfato e do paladar afeta predominantemente indivíduos com um 'sistema imunológico jovem', medido pelo número de células imunológicas (linfócitos T) que recentemente emigraram do timo. Isso significa que fomos capazes de distinguir claramente as formas sistêmicas (por exemplo, grupos 1 e 3) das formas específicas de órgãos (por exemplo, grupos 6 e 7) de doença covid-19 primária," disse o professor Winfried Pickl, coordenador do estudo.

Impressão digital da covid-19 no sangue

Ao mesmo tempo, os cientistas estabeleceram que a covid-19 deixa para trás mudanças de longa duração detectáveis no sangue dos convalescentes, muito semelhantes a uma impressão digital.

Por exemplo, o número de granulócitos, responsáveis no sistema imunológico pelo combate a patógenos bacterianos, mostrou-se significativamente menor do que o normal no grupo que teve covid-19.

"No entanto, ambos os compartimentos de células T CD4 e CD8 desenvolveram células de memória, e as células T CD8 permaneceram fortemente ativadas. Isso indica que o sistema imunológico ainda está intensamente envolvido com a doença várias semanas após a infecção inicial. Ao mesmo tempo, as células reguladoras estão muito diminuídas - e essa é provavelmente uma mistura perigosa, que pode levar à autoimunidade," explica Pickl.

Além disso, níveis aumentados de células imunes produtoras de anticorpos foram detectados no sangue dos convalescentes - quanto mais alta a febre do paciente afetado durante o curso leve da doença, mais altos são os níveis de anticorpos contra o vírus.

"Nossos resultados contribuem para um melhor entendimento da doença e nos ajudam no desenvolvimento de potenciais vacinas, já que agora temos acesso a biomarcadores promissores e podemos realizar um monitoramento ainda melhor," enfatizaram os cientistas.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

URL:  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2016 www.diariodasaude.com.br. Cópia para uso pessoal. Reprodução proibida.