13/03/2020

Descoberta sobre a bile reescreverá livros didáticos

Redação do Diário da Saúde
Descoberta sobre a bile reescreverá livros didáticos
Você sabe como cuidar do seu fígado?[Imagem: Sebastian Kaulitzki]

Ácidos biliares

Esqueça o que você aprendeu na escola sobre produção da bile no nosso corpo, porque nosso conhecimento sobre esse elemento essencial acaba de mudar.

A maior parte do conhecimento científico sobre a bile não mudou em muitas décadas. Sabe-se que ela é produzida no fígado, armazenada na vesícula biliar e injetada no intestino quando comemos, onde ela ajuda a decompor as gorduras. De fato, o primeiro ácido biliar foi descoberto em 1848, e os cientistas que revelaram a estrutura dos ácidos biliares em 1928 ganharam o Prêmio Nobel. Já faz muito tempo.

"Desde então, nosso entendimento da química da produção de bile no fígado era que o suporte principal de colesterol da estrutura do ácido biliar é ligado aos aminoácidos glicina ou taurina para produzir nossos ácidos biliares primários," relembra o professor Robert Quinn, da Universidade do Estado de Michigan (EUA).

Mas isso agora mudou: a equipe descobriu ácidos biliares que não são produzidos por nossas enzimas; eles são fabricados por bactérias em nosso intestino.

Esta descoberta vai mudar a maneira como os livros médicos tratam a digestão, além de contribuir para um crescente corpo de conhecimentos que dá suporte à importância do microbioma, a comunidade coletiva de bactérias benéficas e outros microrganismos que vivem em nossos intestinos.

Bile produzida no intestino

Quinn e seus colegas descobriram que os micróbios no intestino, membros do microbioma, produzem ácidos biliares únicos, conjugando a "espinha dorsal" do colesterol com inúmeros outros aminoácidos.

Isso representa um quinto mecanismo do metabolismo dos ácidos biliares pelo microbioma que expande bastante a compreensão da bile dos mamíferos.

Embora grande parte do estudo tenha sido realizada em camundongos, esses novos ácidos biliares também foram encontrados nos humanos. E aqui está o pontapé que guiará as pesquisas futuras: esses ácidos são particularmente abundantes no intestino de pessoas que sofrem de doenças gastrointestinais, como a doença de Crohn e a fibrose cística.

"Claramente, nossa compreensão desses compostos está em sua infância," disse Quinn. "Esta emocionante nova descoberta abre mais perguntas do que respostas sobre esses compostos e seu papel em nossa saúde".

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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