12/08/2021

Descoberto como o vírus zika escapa do sistema imunológico

Redação do Diário da Saúde
Descoberto como o vírus zika escapa do sistema imunológico
O vírus cria uma barreira mecânica contra as células de defesa. [Imagem: Meng Zhao et al. - 10.1038/s41589-021-00829-z]

Alvo contra o zika

Uma estrutura rara, que se forma dentro do RNA do vírus zika, torna o patógeno resistente ao sistema imunológico do nosso corpo.

Como resultado dessa resistência à degradação, pedaços de RNA viral permanecem em nossas células - e podem até ser replicados e transmitidos da mãe para o feto durante a gravidez, levando a graves defeitos cerebrais em bebês, como a microcefalia.

Esta descoberta fornece um alvo potencial para novas terapias medicamentosas para combater não apenas o vírus zika, mas também outros semelhantes a ele.

"Devido à estrutura formada dentro do genoma do vírus zika, pedaços do genoma viral permanecem em nossas células e sequestram proteínas que são cruciais para o funcionamento adequado de nossas células," disse o pesquisador Meng Zhao, da Universidade de Alberta (Canadá).

"Usar essas estruturas como alvo pode ser um caminho para o tratamento com medicamentos para o zika e outros vírus que compartilham estruturas semelhantes, incluindo dengue, febre amarela, Nilo Ocidental e chikungunya," acrescentou.

RNases

Nossas células estão cheias de enzimas chamadas RNases, que mastigam ou degradam o RNA de vírus invasores como parte das defesas das nossas células contra infecções. A estrutura estudada pela equipe é uma parte do genoma do vírus zika que lhe dá a capacidade de resistir à degradação pelas RNases em nossas células.

"Nós descobrimos que essa resistência se deve ao que é efetivamente um obstáculo mecânico: o RNA cria uma estrutura semelhante a um nó que é mecanicamente extremamente forte, e a RNase simplesmente não consegue puxar fisicamente o RNA para o maquinário que o destrói," explicou o professor Michael Woodside. "Mas, se enfraquecermos a resistência mecânica desse nó, rompendo algumas das ligações que o tornam rígido, a RNase pode separá-lo e digerir o RNA viral corretamente novamente."

Os cientistas descobriram que a formação dessa estrutura, a partir de uma fita de RNA, envolve um processo de várias estruturas incompletas, denominadas intermediárias, que se formam antes de formar o nó resistente à RNase - uma descoberta crítica que pode abrir caminho para novas abordagens para combater o zika, visando os intermediários, antes que o nó se forme completamente.

"Mesmo que prevenir a estrutura em forma de nó seja ineficaz, nosso estudo sugere uma estratégia de tratamento alternativa: Enfraquecer a força mecânica do nó de RNA, de modo que ele perderá a capacidade de resistir ao expurgo pela RNase em nossa célula," disse Zhao.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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