09/09/2020

Especialistas propõem dieta saudável universal de referência

Redação do Diário da Saúde
Especialistas propõem
Alimentos saudáveis são bem vistos pela população - mas nem todos têm os recursos para comprá-los.[Imagem: ICTA]

Dieta saudável universal de referência

"Os sistemas alimentares têm o potencial de nutrir a saúde humana e apoiar a sustentabilidade ambiental; no entanto, eles atualmente ameaçam ambos."

Esta frase um tanto contundente é a declaração de abertura do Relatório Lancet, uma coletânea com as ponderações de especialistas globais em alimentos, nutrição e meio ambiente. A tônica do documento é que "nosso sistema alimentar está quebrado e precisamos consertá-lo, rápido".

Para isso, os autores propõem uma "dieta saudável universal de referência", rica em frutas, vegetais, grãos inteiros, legumes e nozes, e com baixo teor de carne vermelha, açúcar e alimentos altamente processados.

Se for adotada em escala global, essa dieta seria boa para o planeta e para os 10 bilhões de pessoas que se prevê viverão nela até 2050, propõem os especialistas.

Não é só tecnologia

A boa notícia, segundo o relatório, é que uma transformação massiva dos sistemas alimentares é possível.

A maior dificuldade é que colocá-lo em ação exigirá um nível sem precedentes de cooperação global.

A operacionalização da dieta exigirá pesquisa e ação ousada em pelo menos cinco grandes temas: economia, política, normas culturais, equidade e governança, segundo uma nova análise que acaba de ser publicada pela revista Nature Food, realizada com o intuito de verificar como transformar a recomendação em prática.

Especialistas propõem
Estudos têm mostrado que o mais saudável é consumir gorduras moderadamente.
[Imagem: Francesc Villarroya et al. (2016)]

"Se realmente quisermos realizar essa mudança, precisamos olhar além dos avanços tecnológicos que contribuirão para a transformação do sistema alimentar," disse o professor Christophe Béné, um dos autores desta nova análise. "Há uma série de mudanças complicadas e desafiadoras que vêm junto com isso."

Ao delinear as cinco prioridades, os autores não apenas apontam para lacunas de conhecimento, mas também enfatizam ações no mundo real, algumas das quais já estão acontecendo, que serão essenciais para a mudança sistêmica.

"Para cumprir totalmente as recomendações estabelecidas no relatório do EAT-Lancet, os formuladores de políticas precisarão priorizar os sistemas alimentares como uma agenda prioritária de desenvolvimento. Os pesquisadores têm um papel importante em fornecer evidências do que funciona e das possíveis compensações aos formuladores de políticas, de forma que eles possam se adaptar e identificar prioridades para seu próprio contexto local," acrescentou Jessica Fanzo, professora da Universidade Johns Hopkins.

Economia alimentar

Um dos desafios é que a dieta de referência lançada pelo relatório Lancet funciona para pessoas com acesso a alimentos, dinheiro para comprá-los e tempo para preparar refeições mais saudáveis. Mas estima-se que 1,6 bilhão de pessoas hoje não têm o dinheiro necessário para uma dieta mais saudável.

E os custos envolvidos na mudança global do padrão alimentar são desconhecidos, o que envolve mudar o uso da terra e as práticas de produção de alimentos e reduzir o desperdício, que representa cerca de 30% de todos os alimentos produzidos. Uma parte do trabalho que os cientistas deverão prover consiste em estimar esses custos.

Para os consumidores pobres, uma estratégia já produtiva tem sido o fornecimento de descontos para alimentos saudáveis, talvez redirecionando os subsídios à produção para o lado da demanda da economia. Os direitos de posse da terra, que incentivam a produtividade e são essenciais para os objetivos de conservação, podem ser orientados por guias técnicos de padrão internacional.

Além disso, o que os especialistas chamam de "sindemia global" de obesidade, desnutrição e outros riscos à saúde, causados por dietas inadequadas, exigem uma reformulação completa do status quo do sistema alimentar. Isso exigirá uma combinação complexa de regulamentações e incentivos para orientar a produção industrial de alimentos em direção a produtos alimentares mais saudáveis, propõem os especialistas.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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