14/07/2026

Experimentos distorcem visão científica da cooperação na natureza

Redação do Diário da Saúde
Experimentos estão dando visão distorcida da cooperação na natureza
Os experimentos feitos pelos cientistas até agora (esquerda) só oferecem a chance de ser egoísta, disputando uma única oportunidade. [Imagem: Jeroen S. Zewald et al. - 10.1016/j.anbehav.2026.123632]

Experimentos sobre cooperação

Cooperação não é uma palavra muito querida dos biólogos quando eles observam o comportamento dos animais e plantas - competição é a preferida. E, para o biólogo radical Richard Dawkins, patrono do chamado neodarwinismo, até mesmo comportamentos aparentemente altruístas entre animais parentes podem ser explicados pelo "egoísmo genético", já que ajudar um familiar significa garantir a transmissão de cópias daqueles mesmos genes para o futuro.

Mas parece que essa linha de pensamento está se baseando em experimentos falaciosos. Quando os biólogos estudam a cooperação entre os animais, eles geralmente oferecem apenas uma tarefa de cada vez, o que quase sempre leva à "disputa egoísta" - é ficar com fome ou brigar pela comida.

Acontece que tudo muda quando os animais podem escolher entre várias oportunidades para trabalhar juntos, o que faz uma diferença notável no resultado dos experimentos, garantem Jeroen Zewald e colegas da Universidade Utrecht (Países Baixos).

Os experimentos convencionais tentam reproduzir situações na natureza em que um grupo de animais coopera para capturar uma única presa. Mas, para muitos animais, incluindo os primatas, essas situações são relativamente raras. Por exemplo, macacos muito mais frequentemente passam o tempo procurando comida em árvores e arbustos, onde várias fontes de alimento estão disponíveis ao mesmo tempo - ninguém precisa brigar por uma fruta só.

"Quando os macacos se reúnem para obter comida, eles geralmente têm mais de uma oportunidade na natureza," justifica a professora Liesbeth Sterck, que liderou o estudo. "Uma árvore frutífera não contém apenas um local onde há frutos disponíveis, mas vários. Isso permite que os animais se evitem, se observem ou se procurem ativamente. Mas quando há apenas uma única oportunidade de obter comida, a dinâmica social é muito diferente."

Do individual para o grupal

A equipe fez um estudo amplo, no qual os experimentos incluíam tanto uma oportunidade única - uma única corda para subir até o alimento, por exemplo - quanto três ou cinco possibilidades.

Quando havia apenas uma única chance disponível, a corda era quase inteiramente ocupada por dois machos mais fortes, que foram os responsáveis pela grande maioria das interações cooperativas no grupo para obter a recompensa alimentar.

Mas quando três ou cinco dispositivos se tornaram disponíveis, a dinâmica social mudou drasticamente: A cooperação passou a ser distribuída de forma muito mais uniforme por todo o grupo. Os dois machos permaneceram ativos, mas deixaram de dominar a tarefa. Eles também começaram a cooperar com outros membros do grupo.

"Imagine caçar veados juntos quando só há um único animal disponível. Você quer um parceiro que seja bom na caça, mas que não fique com toda a recompensa depois. Se houver animais de presa por toda parte, importa muito menos com quem você escolhe cooperar. Os macacos mostraram exatamente essa diferença," disse Zewald.

Muitos outros experimentos comportamentais, incluindo estudos sobre aprendizagem social e cultura animal, também dependem de um único local ou um único aparato. Isso pode limitar as oportunidades que os animais têm de se observarem, aprenderem uns com os outros ou participarem da tarefa. "Se quisermos entender como os animais cooperam na natureza, talvez precisemos prestar mais atenção em quantas oportunidades eles têm para fazê-lo," concluíram os pesquisadores.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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